RESENHA CRÍTICA: A Grande Muralha (The Great Wall)

É uma coprodução da Universal e Legendary, com os chineses. Mas que ninguém espere outra obra prima do mestre do visual e da ação

22/02/2017 22:41 • Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CR�TICA: A Grande Muralha (The Great Wall)

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A Grande Muralha (The Great Wall)

China, 16. 1hora e 46 min. Direção de Zhang Yimou. Com Tian Jing, Matt Damon, Willem Dafoe, Andy Lau, Pedro Pascal, Lu Han. Argumento original de Max Brooks, Edward Zwick, Marshall Herkowitz. Roteiro de Tony Gilroy,Doug Miro, Carlo Bernard.

Muito se falou e mais ainda ouviremos falar de uma parceria criada entre a China (comunista como se dizia antigamente) e o cinema de Hollywood, o que pelo jeito interessa ambas as partes e se oficializou com este filme que é o primeiro a trazer um astro de primeira grandeza, no caso Matt Damon, se reunindo ao diretor mais famoso e importante da China que também abriu mão de ser um artista polêmico de dramas (como os clássicos Sorgo Vermelho, Lanternas Vermelhas, genial O Herói (2002) e mesmo Flores do Oriente, 11, com Christian Bale.

É uma coprodução da Universal e Legendary, com os chineses. Mas que ninguém espere outra obra prima do mestre do visual e da ação, e mesmo da denúncia social. Já se sente isso nos letreiros de gosto duvidoso onde tenta se deixar claro que é mesmo a história da Grande Muralha da China. Os letreiros iniciais são pesados e excessivamente digitais, deixando claro que a Muralha tem 5.500 milhas, levou 1.700 anos para ser construída e o que vai mostrar é uma lenda. Falado basicamente em inglês, está sendo criticado por causa do roteiro que seguiu basicamente o que seria um filme de monstro, num mundo historicamente indefinido.

Conta uma história de uma enorme batalha quando monstros paranormais invadem a China (os heróis são ajudados por dois astros chineses célebres, Andy Lau e Zhang Hanyu).Damon deve ter recebido uma fortuna para ser o astro da brincadeira como um certo William Garin, que fugia das tribos do norte da China. E o amigo mercenário Tovard (Pedro Pascal de Game of Thrones) que foi capturado por um grupo militar que está na Muralha. Escapam da morte quando Willilam mostra uma pata que ele teria tirado de um monstro que os atacou. Seria o Taoti, uma espécie de lagarto perigoso que com frequência teria invadido o país e esta seria a verdadeira razão porque construíram a Muralha. Entre delírios de efeitos especiais da Industrial Light &Magic, Damon tenta conseguir uma fortuna em pólvora e se apaixona por uma certa Lin (Jing Tian) a única mulher nas redondezas.

Há também um ocidental chamado Ballard que já é prisioneiro há 25 anos além de ensinar inglês ao guerreiro Wang (Lau). Há ainda uma mensagem dita por Lin sobre a importância de confiar nas pessoas (sim, claro, a mensagem não podia ser boba) sem perdoar o diálogo primário e tolo. Os críticos americanos também brincam com a falta de lógica do filme. Por que os Taotis só atacam humanos a cada 60 anos? Por que inventaram as mulheres soldados que pulam de uma espécie de paraquedas e o tempo todo ficaram rolando os olhos quando falam?

Ainda assim alguns ainda tentam salvar o filme dizendo que o diretor fez um espetáculo visual.  Mas a gente não pode negar que este é certamente seu pior trabalho.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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