RESENHA CRÍTICA: Além da Morte (Flatliners)

O filme original tinha autenticidade e elenco sedutor, coisa que não sucede aqui em que se aproveitam de um elenco de terceira classe!

18/10/2017 10:13 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Além da Morte (Flatliners)

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Além da Morte (Flatliners)

EUA, 2017. 1h50 min. Direção de Niels Arden Opley. Roteiro de Peter Filardi (história) e Ben Ripley. Com Ellen Page, Diego Luna, Nina Dobrev, James Norton, Madsyon Bridges, Kiefer Sutherland, Ann Hardin, Miguel Anthony.

Foi um tremendo e inesperado fracasso nos Estados Unidos, 12 milhões de dólares enquanto o original de 1990 passou dos 61 milhões, talvez por sua originalidade e elenco sedutor, coisa que não sucede aqui em que se aproveitam de um elenco de terceira classe!. Acho interessante relembrarmos a fonte original do então Linha Mortal (também Flatliners, 114 min, 1990) e o fato de que o diretor Joel Schumacher teve sorte com esse projeto, se tornando amigo e parceiro em outros filmes com Julia Roberts (então em plena ascensão) e com alguns atores que ficaram mais conhecidos como Kiefer Sutherland, William Baldwin, Oliver Platt, Kevin Bacon, Kimberly Scott. A história antiga não difere muito deste remake. Estudantes de Medicina experimentam com uma nova droga que permite que eles testem como pode ser a vida após a morte. A droga os ressuscita depois de alguns minutos, mas também os vicia em novas experiências. O fato é que se trata de um tema meio macabro muito bem conduzido pelo diretor, com Julia sempre radiante (na época, ela ficou noiva de Kiefer, mas rompeu o casamento na véspera por causa do alcoolismo dele e da despedida de solteiro excessiva). Com toques de humor e horror, o filme original era perturbador, produzido por Michael Douglas e cheio dos truques (ângulos estranhos, direção de arte elaborada). Ajudou a carreira de todos.

Aproveitando logicamente a evolução da tecnologia, o novo filme utiliza o mesmo esquema, 5 estudantes de medicina são obcecados com a dúvida do que poderia existir “nos confins da vida” (ou morte?). Então usam aquele truque de fazerem uma experiência parando o coração e fazendo uma experiência em primeira mão de “pós vida”. Talvez o problema seja o diretor que não é o mais adequado (o original nunca se levava a sério, era sempre delirante). Trata-se Neils Arden Oplev, dinamarquês, 1961, que não é muito conhecido apesar de ter feitos internacionais de certo êxito, como Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (09), Unidos por um Sonho (06), Sem Perdão (Dead Man Down com Noomi Rapace, Colin Farrell), mas a maior parte de sua carreira foi usada em episódios de séries de TV.

De qualquer forma, os produtores fizeram questão de acentuar que não se trata de uma continuação do anterior, mas uma refilmagem, e Kiefer, o único em estar nos dois filmes, faz personagens diferentes em cada um deles. Mas os dois filmes são parecidos, fazem a trip mortal, depois voltam com traumas para resolver, situações que se tornam incomodas e perigosas. Mas nada difícil de adivinhar. Talvez seja um pouco óbvio demais, mas preciso confessar que o primeiro filme me deixou um profundo mau estar, não exatamente medo, mas uma rejeição com jovens que brincam com o que não deviam, sob pena de atravessarem o limite do gênero. Ver fantasmas, monstros, até situações não resolvidas e castigos. Tudo isso acaba não exatamente fazendo medo, mas criando uma relação desagradável com o além, o post mortem, afinal conhecem alguém que de alguma forma tem não medo da morte? Ou rejeição? Ou simplesmente é mau exemplo que nos tira da zona de conforto. Pode ser, mas como esse tipo de morte acho que não há graça em se brincar.

 

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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