RESENHA CRÍTICA: Liga da Justiça (Justice League)

Os fãs do gênero podem ficar tranquilos. Se não chega a ser exatamente uma obra-prima, esta é uma boa aventura repleta de ação

17/11/2017 07:03 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Liga da Justiça (Justice League)

tamanho da fonte | Diminuir Aumentar

Liga da Justiça (Justice League)

EUA, 17. Direção de Zach Snyder. Warner. Roteiro de Joss Whedon, Chris Terrio e mais 7 outros créditos. Com Ben Affleck, Gal Godot, Jason Momoa, Robin Wright, Connie Nielsen, Amy Adams, Ezra Miller, Amber Heard, Henry Cavill, Diane Lane, Billy Crudup, J.K.Simmons, Ciaran Hinds, Jeremy Irons, Jesse Eisenberg, Ray Fisher, Joe Morton.

Os fãs do gênero podem ficar tranquilos. Se não chega a ser exatamente uma obra-prima, esta é uma boa aventura repleta de ação, com boa quantidade de humor (mas não chega a ser tão comédia como o recente Ragnarok!) bastante digna da DC Comics. Curiosamente o filme está estreando exatamente 16 anos depois de ter sido lançado como série de TV (Liga da Justiça, 2001) e em 2007 houve uma tentativa de já fazer o filme com o diretor George Miller, Armie Hammer como Batman, D.J. Cotrona como Superman, Megan Male como Wonder Woman, e outros (mas foi engavetado no meio da produção!!). Esta edição também teve problemas como quase todo mundo sabe quando o diretor do filme o conhecido e polêmico Zach Snyder (porque tem carreira irregular com filmes ruins como Watchmen, o horrível Sucker Punch) que se afastou deste projeto em maio por um problema pessoal (a filha dele adotiva chamada Autumn se suicidou em março aos 20 anos. Joss Whedon ficou com a finalização filme mas mesmo não aparentando ter mexido muito com o filme, a meu ver já lhe deu mais humor e ritmo, suas características (alguém já deu para sentir que não sou admirador de Snyder?).

De qualquer forma me sentiria sem jeito se não revelasse o que todo fã do gênero já está cansado de saber, que o filme marco o retorno de um morto, justamente do mais esperado e popular Superman novamente interpretado pelo mesmo ator britânico Henry Cavill que entra em ação na metade final. Achei estranho que ele tenha surgido em cena com o rosto anguloso, mas os colegas me explicaram logo que é porque estava usando bigode em outro filme. Que parece ser o novo Missão Impossível. Também fiquei um pouco surpreso também em ver a encantadora Amy Adams (Lois Lane), fora de forma e envelhecida em aparições curtas.

O filme desta vez traz novidades e vem apresentar ao menos um vilão O Lobo da Estepe (dublado, mas construído só por efeitos especiais), fidagal inimigo da Mulher Maravilha (abusam um pouco dos closes dela certamente porque a moça é tão bonita e fotogênica) e que será o grande conflito do filme. Como se sabe O Superman aparentemente morreu e o Batman pensa numa maneira de ressuscitá-lo! Então convoca o havaiano Jason Momoa, que tem um tipo exótico e a quem deram o tempo para evoluir como ator (esteve em Game of Thrones, na série Baywatch, foi um calamitoso Conan, o Bárbaro, 11), mas acaba sendo convincente com a figura interessante do Aquaman (ficam devendo mais cenas para ele. Ah, curioso notar que o filme tem algumas ações numa cidade operária russa e o Superman mais o The Flash acabam salvando uma família, o que obviamente faz parte da atual política de passar filmes americanos na Rússia com muito êxito!!!). Importante também falar do Flash que para mim é o personagem mais simpático e engraçado muito ajudado pelo exótico ator Ezra Miller (que já havia brilhado em As Vantagens de Ser Invisível, Precisamos Falar Sobre Kevin, Animais Fantásticos e Onde Habitam). Do Cyborg, feito por Ray Fisher, não o utilizam ainda como deviam (é o único herói Black ao menos por enquanto da série) dando destaque demasiado a complicada vestimenta. A novidade para mim é que ele é praticamente um novato, mas felizmente deve voltar na próxima continuação. Segundo informações do IMDB o filme teria custado 300 milhões de dólares.

Sim, claro que segue a moda e temos dois momentos de interrupção dos letreiros finais, uma comédia dos dois ligeirinhos, Superman e Cyborg e depois ainda uma informação mais importante, de inimigos que voltam a atacar! (melhor ver).

Enfim, o sucesso parece inevitável.

PS- Curiosamente já na quarta feira saíram os boatos que confirmam que houve mudanças no filme mesmo com a saída do diretor e que cerca de 15 a 20 por cento foi modificado. Por exemplo, foi praticamente eliminado o papel de Jesse Eisenberg como Lex Luthor (ele agora só aparece na ceninha final dos letreiros) e o sucesso de Gal Gadot teria aumentado suas cenas e ação. Parece que procuraram também modificar o tom geral do filme, para ficar mais bem-humorado.

 

Liga da Justiça
Por Adilson de Carvalho Santos

A estratégia de reunir heróis já populares em uma equipe NÃO foi criação de Stan Lee, nem mesmo surgiu com o Universo Marvel. O mérito cabe a Gardner Fox (1911-1986), que em plena “Era de Ouro” como se convencionou chamar o período imediatamente após o surgimento do Superman, se aproveitou do bom relacionamento de sua editora de quadrinhos, a All-American, com a National Periodical para propor um título trazendo um grupo de heróis que se junta para enfrentar ameaças de grandes proporções, formando assim ... A Sociedade da Justiça, publicada a partir de “All Star Comics” #3 (1940). O escritor novaiorquino, que também criou o primeiro Flash, o Gavião Negro, e outros heróis, retratava nas histórias da Sociedade o ufanismo inerente ao período com a equipe ligada às ordens do Presidente Franklin Roosevelt combatendo vilões megalomaníacos e espiões nazistas.

A “Liga da Justiça” é o resultado do primeiro renascimento desses personagens, que haviam sido cancelados após a Segunda Guerra, mas que a partir de 1956 (Showcase #4) foram reimaginados por Fox. Depois de um novo Flash, um novo Lanterna Verde, a eles se juntaram versões rejuvenescidas de Superman, Batman e Mulher Maravilha criando o advento da Era de Prata do gênero. Novamente, Fox pensou em juntar os heróis em uma equipe, mas preferiu o termo “Liga”, uma alusão às populares equipes de baseball. Assim, três anos antes de Stan Lee lançar “Os Vingadores” pela Marvel, a capa da revista “The Brave & The Bold” #28 (Março de 1960), trazia a estreia da Liga com Aquaman, Mulher Maravilha, Lanterna Verde, Flash e Caçador de Marte enfrentando Starro (uma estrela do mar gigante).Cinco meses depois o surpreendente resultado de vendas mostrou que o raio cairia novamente no mesmo lugar, e o time de heróis recriado por Gardner Fox ganha seu próprio título “Justice League of America”, com Superman e Batman aparecendo com menor frequência durante um bom tempo, mas incluindo gradativamente outros personagens como o Arqueiro Verde, Atom, Gavião Negro e promovendo, inclusive, um encontro entre a Liga e Sociedade (Justice League of America #21) que se tornaria tradição na DC Comics (nascida da fusão da National com a All American).

O traço de Mike Sekowsky(1923 – 1989) foi substituído por Dick Dillin (1928 – 1980) – o mais longevo dos artistas a trabalhar com os personagens – seguidos por George Perez, Don Heck, Kevin Maguire, Howard Porter, John Byrne e outros. A popularidade da Liga alcançou nível ainda maior quando, a partir de 1973, o estúdio Hanna Barbera produziu a série de animação para a Tv “SuperAmigos” (Superfriends) com tom mais infantil e moralizante, onde os heróis salvam o mundo além de dar lições de civilidade e humanidade, mesmo quando enfrentam a Legião do Mal, grupo de vilões que formam uma anti-Liga. Mais fiel às origens das HQs é a série animada produzida por Bruce Timm a partir de 2001 e que aproveita várias fases do grupo.

As primeiras tentativas de se fazer uma versão live action, no entanto, resultaram em desastre. A primeira foi no especial de TV “Legend of the Super Heroes” de 1979, com o mesmo tom cômico da série de TV “Batman”, incluindo a presença de Adam West (recentemente falecido) e Burt Ward no papel da dupla dinâmica. A ridicularização inclui o Charada (Frank Gorshin) como psiquiatra tratando de um deprimido Shazam (Garret Graig) e um Gavião Negro (Bill Nuckols) retratado como um filho rebelde. Novamente a Tv arriscou usar a Liga em nova adaptação buscando como referência a fase em que a equipe ganhou status internacional, no final dos anos 80, com uma formação que pontuava mais o humor que a ação. O filme em questão de 1997 era uma tentativa de funcionar como piloto para uma série de TV pela CBS, reunindo Flash, Lanterna Verde, Atomo, Caçador de Marte, Fogo e Gelo, excluindo, portanto, a trindade Superman-Mulher Maravilha-Batman, que sempre foi carro chefe da editora. O resultado foi tão pífio que o diretor Lewis Teague foi chamado às pressas para salvar o projeto assinado pelo desconhecido Felix Alcala. O próprio Teague tratou de pedir que seu nome não fosse incluído nos créditos do filme. Uma produção mais digna da equipe foi inicialmente pensada para ser dirigida por George Miller (Mad Max) há algum tempo atrás, mas o projeto só foi materializado quando Zach Snyder ficou à frente da elaboração do Universo Cinemático da DC Comics. Claro que mais de 50 anos de aventuras guardam curiosidades por muitos desconhecidas como:

1. O Brasil já teve uma heroína como membro da Liga, a heroína Fogo, alcunha de Beatriz da Costa, heroína com poderes pirocinéticos. Dois desenhistas brasileiros já ficaram responsáveis por fases distintas do grupo como o paraibano Ed Benes e o paulistano Ivan Reis.

2. Os elementos relacionados ao vilão Darkseid foram criados pelo icônico artista Jack Kirby (co-criador do Universo Marvel) quando este trabalhou para a DC Comics.

3. A Liga e os Vingadores da Marvel já estrelaram uma aventura conjunta (Crossover entre as editoras concorrentes) publicado entre 2003 e 2004. Em formato de mini-série em quatro capítulos, a aventura foi escrita por Kurt Busiek e desenhada por George Perez, renomados artistas.

4. Muitas fases do grupo tornaram-se clássicos como “O Prego” (2002) onde em uma realidade alternativa o Superman não existe, “A Nova Fronteira” (2004) onde a equipe é mostrada no contexto da Era de Prata em clima de Guerra Fria e Macartismo, “Crise de Identidade” (2007) onde um crime desenterra segredos obscuros dos integrantes, “Justiça” (2006) onde o traço realista do artista Alex Ross mostra a Liga confrontando a Legião do Mal, e “Reino do Amanha” (2003) também de Alex Ross mostrando a Liga em um futuro onde os heróis precisam reconquistar a confiança perdida.

5. O autor de Best-sellers Brad Meltzer foi o responsável por elevar as vendas da Liga da Justiça acima dos 200 mil exemplares, tendo sido o autor também da miniserie “Crise de Identidade”, que antecedeu sua bem-sucedida fase no título da equipe dividindo os creditos desta com o desenhista brasileiro Ed Benes.

Com tanto pode de fogo assim, espera-se que a estreia da Liga em uma superprodução do cinema possa apaziguar o público depois do resultado insatisfatório de “Batman & Superman A Origem da Justiça” e “Esquadrão Suicida”. O sucesso do filme solo da “Mulher Maravilha” já mostrou que os super-heróis da DC Comics ainda podem oferecer diversão. Renovar os fãs conquistando uma nova geração que possa nos seguir, da velha guarda, para o alto e avante!!

Linha
tamanho da fonte | Diminuir Aumentar
Linha

Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

Linha
Todas as máterias

Efetue seu login

O DVDMagazine mantém você conectado aos seus amigos e atualizado sobre tudo o que acontece com eles. Compartilhe, comente e convide seus amigos!

E-mail
Senha
Esqueceu sua senha?

Não é cadastrado?

Bem vindo ao DVDMagazine. Ao se cadastrar você pode compartilhar suas preferências, comentar ou convidar seus amigos para te "assistir". Cadastre-se já!

Nome Completo
Sexo
Data de Nascimento
E-mail
Senha
Confirme sua Senha
Aceito os Termos de Cadastro
30 fotos grátis na 1a compra BF3