RESENHA CRÍTICA: Batman vs Superman: A Origem da Justiça (Batman vs Superman: Dawn of Justice)

Não consigo recomendar este possível blockbuster. Eu me divirto mais revendo a série Smallvile.

23/03/2016 15:41 Da Redação
RESENHA CRÍTICA: Batman vs Superman: A Origem da Justiça (Batman vs Superman: Dawn of Justice)

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Batman vs Superman: A Origem da Justiça (Batman vs Superman: Dawn of Justice)

EUA, 16.153 min. Direção de Zack Snyder. Com Ben Affleck, Henry Cavill, Amy Adams, Jesse Eisenberg, Diane Lane, Laurence Fishburne, Jeremy Irons, Holly Hunter, Gal Gadot, Callan Mulvey, Tao Okamoto, Michael Shannon, Kevin Costner, Jason Momoa.

Pela primeira vez um grande estúdio, no caso a Warner, arrisca mais de 250 milhões de dólares num projeto que coloca cara a cara como inimigos dois dos mais famosos e bem sucedidos heróis de quadrinhos no cinema, o aparentemente indestrutível Superman e o rico e engenhoso Batman. Esses conflitos são comuns nas revistas comics e foram concebidos para valorizar os rivais da Marvel, que agora é da Disney, o Dc Comics (e a não ser que este fracasse, estão já planejados vários outros filmes do mesmo teor!). Porém é preciso que esta aventura renda muito nas bilheterias, espera-se no mínimo um bilhão de dólares para justificar o investimento. Por isso antes de ver o filme o diretor Zach Snyder apareceu num depoimento onde pede educadamente aos jornalistas que não revelem os detalhes do filme para não estragar o prazer dos espectadores (e realmente nesse caso tem toda razão mas sempre vai aparecer um idiota que fará isso, publicando num blog ou na Folha informações que deveriam permanecer inéditas. No meu caso, tentarei não revelar grande coisa).

O fato é que a reação dos jornalistas foi bastante negativa, porque sem entrar muito em mérito, há varias coisas a reclamar. Primeiro sua metragem excessiva e que resulta em cenas redundantes e quase sempre editadas como se fossem pequenos clipes, quase trailers com carros e bombas em movimento para tentar criar um clima de ação, já que dramaticamente o filme é duvidoso. Depois não gosto do trabalho do diretor Zack que usa e abusa dos efeitos visuais CGI (Imagens geradas por computador) em tudo que é filme, de tal forma, que noventa por cento do resultado parece ter sido conseguido em estúdio, com fundo verde, com resultado extremamente artificial. Minha implicância com o diretor vem de vários filmes seus, que começou com 300 (era curioso mas foi por demais imitado), seguido pelo infeliz Sucker Punch, Mundo Surreal (11), o mal sucedido Watchmen, 09, o filme anterior do Superman, O Homem de Aço (que na época chamei de decepcionante) e que já esta em andamento com o próximo Liga da Justiça. Será que ninguém percebeu que ele não tem o talento para esses projetos? Não sabe construir cenas dramáticas nem dirigir atores. E aí entramos na questão fulcral do filme. Ele conseguiu o feito de reunir dois dos piores canastrões do cinema atual, como o Superman ele tem que lutar contra a sombra do falecido Christopher Reeve que era a imagem perfeita do personagem (vide o que sucedeu com o pobre Brandon Routh em Superman o Retorno, 06) e acabou recorrendo ao britânico Cavill, que é um tipo exageradamente malhado e que deve ser hoje em dia a figura mais inexpressiva, mais canastrona do mundo do cinema (quem duvidar, que veja sua performance patética no último Oscar e O Agente da Uncle). Não bastasse isso apesar da oposição dos fãs ,o diretor insistiu em chamar Ben Affleck (que tinha se revelado bom diretor) para interpretar Batman, apesar do seu duvidoso currículo. Para dizer a verdade, tudo é tão escuro e coberto de capacetes (e sempre grisalho, barba um pouco crescida) que não chega a ser o desastre esperado. Só que o roteiro é muito fraco, forçando um conflito e inimizade entre a dupla simplesmente para justificar o titulo e uma grande batalha. Mas não podemos esquecer mais outra figura importante, que é a do eterno inimigo do Superman, o Lex Luthor (interpretado com exagerado por Jesse Eisenberg, que parece se referir ao criador do Facebook. Mas com certeza seus trejeitos e tiques, se inspiram na criação de Heath Ledger, como o inesquecível Joker/Coringa. O pior é que esse figura irritante deve retornar na provável continuação). Outro detalhe importante: o filme não tem o menor senso de humor (contei apenas uma risada da plateia e um aplauso quando surge meio do nada a Mulher Maravilha/Wonder Woman, que é interpretada por uma ex-miss Israel 2004, Gal Gadot, que é uma figura interessante que veio da série Velozes e Furiosos).

Ao meio de muitos fogos de artifício digitais, o filme acaba tendo ainda por cima uma trama mal desenvolvida por exemplo, a sequencia inicial quando a metrópole é aparentemente atacada por nave de ETs e isso acaba provocando uma catástrofe que nunca é decifrada. Não sei se fui só eu, mas a cena me deu um mal estar me fazendo lembrar Nova York em 11 de setembro. Alias há varias outras cenas de destruição em massa e cidades agonizantes, que não me deixam nada confortável neste momento de ataques terroristas em Bruxelas e Paris! Também é uma pena ser desperdiçada a sempre encantadora Amy Adams, como a namorada de Superman /Clark Kent, que tem uma sequência também absurda logo no começo quando está no meio do deserto entrevistando terroristas quando é salva pelo herói, isso servirá absurdamente depois de motivo para o governo americano, na figura de uma política (o retorno nunca desejado de Holly Hunter) que deseja condenar Superman porque ele abusa de seu poder matando inocentes e desprezando ordens do que seria uma democracia! Outra bobagem que como quase todo o filme nunca é bem explicado ou desenvolvido dramaticamente. Claro que todo mundo sabe que vai ter um clímax entre a dupla, já anunciado no titulo e a resolução talvez meio inesperada não convence ninguém que sabe como funcionam as revistas com de heróis.

Diante de tantas restrições, não consigo recomendar este possível blockbuster. Dizem que haverá ainda por cima uma edição mais longa com cenas mais violentas, na versão em Blu-ray que sairá em breve (para uma censura mais forte o R, americano). Francamente é o que filme não precisa. Eu me divirto mais revendo a série Smallvile.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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