RESENHA CRÍTICA: No Limite (Overdrive)
Claro que não é concorrente para Velozes e Furiosos, mas também não chega a incomodar
No Limite (Overdrive)
França, EUA, Bélgica, 2017. 1h33min. Roteiro de Michael Brandt (O Procurado, Mais Velozes, Mais Furiosos). e Derek Haas (os mesmos, assim como Os Indomáveis). Direção de Antonio Negret. Com Scott Eastwood, Ana de Armas, Freddie Thorn, Gaia Weiss, Simon Abkarian, Abraharn Belaga, Clemens Schick, Kaaris.
Certamente foi obra do maior produtor da Europa, o Luc Besson, que deu início a realização de aventuras de ação, em paisagens fotogênicas e exóticas, com mulheres bonitas e atores com chance de virar astros (como sucedeu com vários deles, Liam Neeson na série Busca Implacável, Travolta e Rhys Mayers, em Dupla Implacável, a série Taxi, Rios Vermelhos com Jean Reno, Carga Explosiva com Jason Statham etc.). É nessa linha fotogênica e despretensiosa que vem este filme feito por um direto colombiano que fez basicamente episódios de séries de TV e que dirigiu alguns filmes de ação (Na Mira dos Assassinos, 12, Sentimentos Mortais, 11, e a Um Passo da Escuridão, 07) todos eles B e trazem títulos que só o IMDB é capaz de identificar como exibidos por aqui.
Enfim, esta é uma aventura obviamente absurda mas nem por isso menos divertida, ainda mais para quem como eu admira carros antigos clássicos. O truque maior foi contratar o filho de Clint Eastwood, que era bastardo (a mãe era aeromoça). Esse tal de Scott Eastwood foi criado no Havaí mas que ficou tão parecido com o pai que este acabou colocando-o numa série de filmes começando com o drama de guerra A Conquista da Honra, dirigido pelo pai, seguido por outros como Invictus e Gran Torino. Não é grande ator (esteve em Velozes e Furiosos 8), mas consegue ser apático e fotogênico que deixa o parceiro ainda mais inexpressivo, ainda mais que ninguém conhece esse tal de Freddie Thorp que interpreta seu irmão. Eles estão nas estradas cumprindo uma missão de roubar carros de luxo (tudo começa em Mônaco e dialogam até sobre o Brasil um par de vezes, favoravelmente). Os dois ladrões estão roubando um caríssimo Bugatti 1937. Mas são aprisionados por um chefão criminoso Moriet (Simon) de tal forma que a dupla tem que roubar um carro do criminoso Max Klemp no caso um Ferrari 1962 250 GTO. Obviamente para quem é fã dos carros antigos vão curtir o filme, que tem ainda duas belas jovens (uma delas cubana que faz boa carreira chamada Ana de Armas) para distrair. Enfim, confirmo que prefiro a aventura B à la Européia do que a moda americana. Claro que não é concorrente para Velozes e Furiosos, mas também não chega a incomodar.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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