RESENHA CR�TICA: Sem Amor (Loveless/ Nelyubov)
� primeira vista j� � bom perceber que n�o � o habitual trabalho sovi�tico. Nunca vimos essa tem�tica num filme russo


Sem Amor (Loveless/ Nelyubov)
Rússia, 17. 2h7min. Direção de Andrey Zvyagintsev. Com Mariana Spivak, Aleksey Rosin, Vladimir Vdovichenkov.
A seleção dos Oscars de filme estrangeiro sempre foi esquisita e falha. E não mudou este ano, onde selecionaram uma série de filmes relativamente desconhecidos, mas que ao menos os distribuidores brasileiros tiveram a inteligência de importar para exibi-los agora. Como o presidente soviético anda tão amigo do presidente americano Trump, tudo é possível. De qualquer forma, este filme também foi indicado ao Globo de Ouro, o Bafta britânico, ganhou o Prêmio do Júri em Cannes, o Camerimage, trilha musical e fotografia no European Film Awards, Independent Spirit, Golden Eagle na Rússia (como direção), London Film Festival (melhor filme), Munich (filme)Zagreb. Ou seja, veio qualificado.
Importante: o diretor Andrey (1964) ficou famoso pelo seu premiado Leviathan (14), finalista do Oscar, melhor roteiro em Cannes, vencedor do Globo de Ouro, mas seus outros filmes são também interessantes: O Retorno (03), O Desterro (07), Elena (11).
À primeira vista já é bom perceber que não é o habitual trabalho soviético. Nunca vimos essa temática num filme russo, ainda que comum tanto no cinema americano quanto europeu. Em 2012, o casal Boris e Zhenya, embora ainda vivam juntos na mesma casa, em Moscou, estão num processo de divórcio. Ambos já tem novos parceiros, mas tem problemas graves como a custódia de Alyosham, o único filho agora com 12 anos. Que apesar disso é desprezado, mal-amado e se tornou um garoto infeliz que se acha desprezado. Na verdade, os pais o ignoravam e só dois dias depois do garoto sumir de casa é que vão perceber sua ausência.
Talvez a melhor coisa do filme seja sua fotografia, seguido de perto por um hábito do diretor. Embora seja discreto para não provocar a ira dos poderosos locais, mas parece que a intenção não é apenas o casal, mas toda a sociedade e realidade da vida soviética. Se bem que a trama poderia acontecer igualmente nos EUA (aliás, é provável que já tenha sido feita). O filho do casal chamado Alyosham mas todo o comportamento dos pais é o reflexo de um pais ainda ditatorial, repleto em alcoolismo e corrupção, simbolizado basicamente no trio central. Por isso que o filme é mais interessante e revelador do que o resumo faz crer. Por exemplo, o marido Boris que trabalha numa empresa que não permite que ele não seja casado e não tenha filhos!). Enquanto o novo namorado de Zhenya a introduziu num grupo mais sofisticado de sociedade. Enquanto isso a polícia acha que o desaparecido pode voltar e pouco faz. Um grupo especializado tenta ajudar de maneira mais eficiente. Mas não é difícil prever a conclusão. Curiosamente a crítica americana acha que a sobriedade (e o clima de corrupção) pode não atingir o espectador local. Mas o filme deve funcionar melhor entre nós, principalmente entre as mulheres.


Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho � jornalista formado pela Universidade Cat�lica de Santos (UniSantos), al�m de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados cr�ticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores ve�culos comunica��o do pa�s, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de S�o Paulo, al�m de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a d�cada de 1980). Seus guias impressos anuais s�o tidos como a melhor refer�ncia em l�ngua portuguesa sobre a s�tima arte. Rubens j� assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e � sempre requisitado para falar dos indicados na �poca da premia��o do Oscar. Ele conta ser um dos maiores f�s da atriz Debbie Reynolds, tendo uma cole��o particular dos filmes em que ela participou. Fez participa��es em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para miniss�ries, incluindo as duas adapta��es de “�ramos Seis” de Maria Jos� Dupr�. Ainda crian�a, come�ou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, al�m do t�tulo, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informa��es. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicion�rio de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o �nico de seu g�nero no Brasil.

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