RESENHA CRÍTICA: A Ilha dos Cachorros (Isle of Dogs)

Vibrei com os visuais, o humor canino, menos um pouco com as crianças que tentam trazer de volta os bichos (mas eles não são fofos!).

17/07/2018 17:38 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: A Ilha dos Cachorros (Isle of Dogs)

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A Ilha dos Cachorros (Isle of Dogs

Japão, Alemanha, 18. 1h41 min. Direção e criação de Wes Anderson. Roteiro de Wes, Roman Coppola (filho de Francis Ford). Mais Jason Schwartzman (sobrinho de Coppola), Konichi Nomura.Vozes originais de Bryan Cranston, Yoko Ono, Edward Norton, Bill Murray, Jeff Goldblum, Greta Gerwig, Frances McDormand, Scarlett Johansson, F.Murray Abraham, Harvey Keitel, Tilda Swinton. Trilha musical de Alexander Desplat. 

Custei muito a me deixar envolver pela obra pessoal e fora do comum do diretor Wes Anderson, desde sua estreia com Pura Adrenalina (96), seguida por uma sátira as faculdades com Três É Demais (98) e mais Os Excêntricos Tenenbaums, 2001, A Vida Marinha com Steve Zissou, sempre que foi possível sempre trabalhando com os mesmos atores. Só passei a curtir melhor seu estilo de humor a partir de Viagem a Darjeeling (07) que foi seguido por uma primeira animação (o divertido O Fantástico Sr. Raposo, 09), outro filme cada vez mais curioso e provocador (Moorise Kingdom, 12) para chegar a obra-prima que foi O Grande Hotel Budapeste com super elenco (14). Agora chegou a vez desta outra animação, ainda mais original ainda que não tenha sido o sucesso que merecia (rendeu 31 milhões de dólares e ate agora, 61 milhões acrescentando o mercado internacional).

Premiado no Festival de Berlim, como melhor diretor, esta é uma animação passada e realizada no Japão, toda falada nas duas línguas, ou por escrito ou dublado por atores famosos japoneses e americanos. Ou seja, seu visual é extremamente oriental, muito bem delineado que vai ficando cada vez mais detalhado e diferente. Na verdade, fiquei surpreso de ver várias críticas americanas negativas, considerando que tradicionalmente eles adoram cachorros! Também é meio evidente que o diretor se inspirou nos desenhos tradicionais do mais célebre criador do gênero no Japão que é o lendário Hayao Miyazaki, que une o esplendor e as mazelas desse país do Oriente. Recriando seus ambientes de luxo e de terror e vingança. Talvez de forma um pouco complicada para seguir (as duas línguas com os textos em japonês. E ainda os cachorros falantes, cheios de filosofias) em geral vira-latas que sob o pretexto de existir uma praga canina, são expulsos e jogados numa ilha abandonada, com lixo e material decadente e quase nenhuma comida. Os sobreviventes brigam entre si, até quando surge dos céus, um garoto de 12 anos chamado Atari que parece não ter parentes e quer encontrar seu querido cão de estimação. Primeiro entra em conflito, depois acaba ficando solidário com os sobreviventes, enquanto a situação na capital vai ficando cada vez mais complicada. O final me pareceu um pouco anti-épico demais.

Mas, ao contrário dos americanos, vibrei com os visuais, o humor canino, menos um pouco com as crianças que tentam trazer de volta os bichos (mas eles não são fofos!). Também as cenas nos monturos de lixo e material degradado acabam sendo longas e não me parecem adequadas para crianças pequenas. Esse se torna então o problema do filme: não vai agradar as crianças que podem achá-lo soturno e há muitas frases em japonês que não são sequer traduzíveis.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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