RESENHA CRÍTICA: Duas Rainhas (Mary Queen of Scots)

Saiorse é fria e não tem a força para ser a rainha que ela pretende. Margot tem um papel ainda mais inferior e ingrato, prejudicada pelo roteiro que não lhe dá a categoria que merecia

05/04/2019 15:54 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Duas Rainhas (Mary Queen of Scots)

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Duas Rainhas (Mary Queen of Scots)

2018. 2h4min. Direção de Josie Rourke. Roteiro de Beau Willimon, John Guy baseado no Livro Queen of Scots, The True Life of Mary Stuart. Com Saoirse Ronan, Margot Robbie, Jack Lowden, Adrian Lester, Guy Pearce, Joe Alwyn, Ian Hart, David Tennant, Jack Lowde.

Ficou programado para abril este drama histórico que teve o bom senso de não querer competir com o mais divertido e inteligente A Favorita, que aborda assunto semelhante (a luta entre rainhas inglesas) só que com mais humor e originalidade. A direção aqui pertence a uma mulher, Josie, que é diretora artística de um dos mais famosos teatros britânicos, o Donmar Warehouse. Na verdade, a primeira mulher a ter um cargo assim tão importante. Por outro lado, é seu primeiro filme de cinema, o que compromete algumas coisas, uma delas foi a escolha de duas jovens conhecidas em ascensão, mas não tão famosas. Até porque este histórico conflito não apenas verdadeiro, na realidade, tomam a liberdade de colocar as duas rainhas em conflito direto se enfrentando cara a cara! Aliás, essa licença poética já sucedeu antes de várias formas, até a nossa Cacilda Becker fez peça de teatro semelhante! As protagonistas mais famosas foram sem dúvida Katharine Hepburn em 1936, em Mary Stuart, Rainha da Escócia, de John Ford, Florence Eldridge como Elizabeth Tudor, depois teve outro filme semelhante chamado da mesma forma, 1971, dirigido por Charles Jarrott, com Vanessa como Mary e outra estrela duas vezes premiada com o Oscar, Glenda Jackson, como a Rainha Elizabeth. Aliás, o filme teve 5 indicações ao Oscar e não ganhou nada. Todos tour de force com atrizes célebres.

Aqui a ousadia é colocar atrizes mais jovens, indicadas ao Oscar, como Saiorse Ronan, o filme teve indicações de maquiagem e cabelos e figurino para Alexandra Byrne, embora as indicações de elenco ficaram com Margot Robbie, indicada no Bafta, como atriz coadjuvante, SAG (ela australiana ficou famosa com O Lobo de Wall Street, e Eu, Tonya). Ainda que prejudicada por uma maquiagem esquisita - já que sofria de um problema de pele! - que lhe tira a beleza.

Para quem não lembra, o conflito histórico entre as duas parentes, principalmente com Mary Stuart, que ficou viúva aos 18 anos e depois lutou para conquistar o poder do trono. Só que Elizabeth I, aquela que teria futuramente uma notável carreira, recusou se encontrar com ela e eventualmente tudo termina com uma morte. O filme custou 25 milhões e rendeu apenas 16.468 milhões. Os críticos de foram também reclamaram que as duas vivem paralelamente 16 anos e nem por isso parecem envelhecer! Pessoalmente faço restrições ao filme, começando com Saiorse, uma atriz que se repete, que fica pedante mesmo quando tem um personagem que precisava ser humano e cativante para convencer (no entanto, ela tem romances com vários homens, é fria e não tem a força para ser a rainha que ela pretende). A coitada da Margot tem um papel ainda mais inferior e ingrato, na verdade também prejudicada pelo roteiro que não lhe dá a categoria que merecia (na verdade, os filmes anteriores sobre a dupla são muito melhores mais emocionantes e realizados).

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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