RESENHA CRÍTICA: O Enigma Chinês (Chinese Puzzle/ Casse Tête Chinois)
O terceiro filme da série feita pelo diretor Kaplisch (que começou com Albergue Espanhol (2002) e prosseguiu com Bonecas Russas) é decepcionante
O Enigma Chinês (Chinese Puzzle/ Casse–Tête Chinois)
França , 13. 117 min. Direção e roteiro de Cédric Kaplisch. Com Romain Duris, Audrey Tautou, Cécile de France, Kelly Reilly, Sandrine Holt, Benoit Jacquot.
Não consigo esconder uma certa decepção diante deste terceiro filme da série feita pelo diretor Kaplisch (que começou com Albergue Espanhol (2002) e prosseguiu com Bonecas Russas (05). Sempre com o mesmo elenco, liderado por Romain Duris, mostra um grupo de amigos de nacionalidades diversas que primeiro se encontrou num Albergue Espanhol e depois na Rússia. Formado por um simpático elenco internacional, o filme foi perdendo o fôlego já que parece normal que os personagens vão envelhecendo, perdendo o ardor de suas paixões, agindo mais moderadamente (apesar das múltiplas relações, inclusive entre mulheres mostradas da maneira que deveria ser justamente natural). Ou seja, eles já estão com trinta e tantos anos com filhos e na hora de tomar jeito e já de ter saudades. Não sei se de propósito ou não, o autor Klapisch, segundo seus admiradores, adorou o estilo do cinema americano, o toque romântico “feel good”, já que a história desta vez se desenrola em sua maior parte em Nova York (que continua a ser ainda a capital cultural do mundo, onde se cruzam todos os tipos e nacionalidades).
Duris faz Xavier chegando aos 40 anos e que acha que estragou sua vida. Embora bem sucedido como escritor, é infeliz no amor. Wendy (a interessante inglesa Keilly, de O Vôo, os dois Sherlock Holmes, o novo O Céu é de Verdade) com quem ele tem dois filhos, o largou para viver em Nova York com uma mulher porque se apaixonou! Começa então sua luta para conseguir Greencard, os casamentos arranjados, os trabalhos não oficiais, com o acréscimo de que não é mais garoto! Há um esforço para manter o clima inventivo e leve dos filmes anteriores, sem renegar que é Francês (conversas analisando o passado, discussão sobre a obra de filósofos). E visualmente o filme até que consegue um bom resultado, sempre ajudado pela incrível fotografia de Manhattan e adjacências. E nas situações que não tem a mesma alegria, caindo em situações discutíveis (Cecile de Fance para quem ele doa esperma!) e onde o quebra-cabeça é simplesmente que a vida é complicada para todo mundo, com escolhas sempre erradas. No caso, o retorno de Audrey Tautou, fazendo o mesmo tipo de sempre, ainda que agradável. O filme resulta como o retrato de uma geração atual, mais móvel, misturada, aventureira e nem por isso menos bem sucedida na busca do amor e da verdade nos relacionamentos. Jovens que se conheceram num hostel espanhol, depois se reencontraram com bonecas russas e agora quebram a cabeça em busca de saídas e soluções. A série tem envelhecido com o seu público (mais ou menos com sucedeu com os filmes da série Antes do Amanhecer!). E aí está o segredo de seu sucesso.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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