RESENHA CRÍTICA: Um Belo Domingo (Um Beau Dimanche)
O filme tem o estilo de drama Francês moderno, que anda na moda
Um Belo Domingo (Um Beau Dimanche)
França, 14. 95 min. Direção de Nicole Garcia. Com Pierre Rochefort, Louise Bourgoin, Dominique Sanda, Eric Ruf, Deborah François,Benjamin LaVernernhe, Mathias Brezot, Olivier Lousthau.
Aquele estilo de drama Francês moderno, que anda na moda e permitiu aqui mais uma experiência da veterana atriz Nicole Garcia (que já está perto dos setenta anos) como diretora! Em vez das tramas serem muito bem armadas, agora tudo parece casual, meio sem querer, mesmo quando passa de famílias muito pobres para outras bem mais ricas. Não aprecio especialmente este tipo de melodrama embarcado, mas nem por isso previsível. O herói é um professor alto e normal, que largou sua família muito rica mas exigente (também antipáticos, pretensiosos e chatos) há muitos anos. Mas agora concorda em procurá-los porque de repente parece ter que assumir a responsabilidade de criar um pré-adolescente. E aquele que era incapaz de ficar mais de três semanas no mesmo empregado, agora se envolve com uma jovem vulgar e solta (a charmosa Louise Bourgoin, de As Múmias do Faraó, Um Evento Feliz). Ou seja, nada de muito novo, nem as locações poucos comuns em Montpellier, ou Seilh, nos Pirineus.
É verdade que houve um momento que me tocou quando aparece já muito senhora a lendária Dominique Sanda, que foi a Greta Garbo de sua época , musa de Bertolucci e que faz a mãe do herói, de forma até comovente (ela chega a convencer como a megera de duas faces). É verdade que o final podia ter uma conclusão mais forte, menos aberto. Mas o que fazer quando hoje parecem que as pessoas não gostam mais de explicações ou justificativas. É porque é, vale porque vale, se esbofeteiam muito de passagem e pronto... tudo cada vez mais passageiro e sem interesse...
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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