RESENHA CRÍTICA: Jogos Vorazes: A Esperança Parte I
Uma pena termos que esperar ainda um ano para se ter a conclusão da Saga
Jogos Vorazes: A Esperança Parte I (The Hunger Games – Mockingjay)
EUA,04. Direção de Francis Lawrence.Paris filmes. 123 min.Com Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemswsorth, Julianne Moore, Woody Harrelson, Donald Sutherland, Philip Seymour Hoffman, Sam Clafin, Elizabeth Banks, Stanley Tucci, Jeffrey Wright.
Posso ainda estar sendo vitima da primeira impressão, mas eu sai entusiasmado deste penúltimo filme da série, que mesmo sendo vitima do problema de ser o filme do “meio”, me pareceu o melhor da série, ao menos até agora. É tenso, não cansa, faz tudo na medida certa. Confirma mais uma vez que Jennifer Lawrence é uma grande figura. Bonita, boa atriz, mergulha de cabeça num papel cada vez mais difícil. Acho que muito ajudada para uma direção precisa de Francis Lawrence (o mesmo das anteriores) e uma história que ficou mais tensa perto do clímax. Para ser chato, talvez eu preferisse que o filme se encerrasse alguns minutos antes num pequeno susto (que termina num escuro) e não precisa se prolongar um pouquinho a mais, que no fundo não leva a lugar nenhum.
Como nada na vida é perfeito, os parceiros dela não brilham tanto. O galã Liam está neutro e sem vibração mesmo tendo Katniss em seus braços e Josh (Peeta) tem uma participação ingrata, que o fez emagrecer (ele passa a maior parte do tempo prisioneiro e sofrendo lavagem cerebral, teve que emagrecer e não conseguiu resolver o grau de emoção que deveria passar.Difícil se convencer com ele!).
Por outro lado, os coadjuvantes funcionam bem. Elizabeth Banks faz a figurinista Effie agora mais simpática e com muita habilidade não se percebe a ausência de Philip Seymour Hoffman, que faleceu antes de terminar sua participação. Ainda assim está presente nas horas adequadas. Quem rouba praticamente o filme junto com Jennifer é a grande Julianne Moore (pela primeira vez na série), que esta vivendo um grande ano (foi melhor atriz em Cannes por Mapa para as Estrelas e está sendo louvada por Still Alice, quem sabe este será o ano que levará o Oscar. Já estava na hora. Julianne dá a medida certa de doçura e olhar materno como a Presidente Alma Coin, que dirige a resistência aos ataques quando se instaura definitivamente a Rebelião.
Mas justamente o que mais me surpreendeu é que um filme comercial como este, feito para jovens adultos, tenha uma mensagem tão contundente contra os ditadores, nenhum em particular, mas todos em consequência. E a luta dos habitantes cansados de sofrerem chega a ser empolgante quando se observa o mundo atual que sempre cai na mesma cantilena de governos não democráticos se espalhando pelo mundo (Rússia, China, Coréia, Venezuela, Colômbia, Argentina e assim por diante).
E se poderia ter sido apenas o primeiro a tocar no assunto também Jogos tem o mérito de ser também o melhor deles. Uma pena termos que esperar ainda um ano para se ter a conclusão da Saga. Mas desde já aguardo ansioso como os fãs.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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