RESENHA CRÍTICA: A Torre Negra (The Dark Tower)

Este talvez seja o filme mais polêmico do ano, ao menos nos EUA, quando acabou sendo um fracasso de público e uma decepção de crítica

25/08/2017 12:07 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: A Torre Negra (The Dark Tower)

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A Torre Negra (The Dark Tower)

EUA, 17. 1h35. Direção De Nikolaj Arcel. Roteiro De Akiva Goldsman , Jeff Pinkner, Arcel, Anders Thomas Jensen. Com Idris Elba, Matthew Mcconaughey, Tom Taylor, Dennis Haysbert, Ben Gavin, Claudia Kim, Jackie Earle Haley, Frank Kranz. Co-Produção De Ron Howard. Sony pictures. 

Este talvez seja o filme mais polêmico do ano, ao menos nos Estados Unidos quando acabou sendo um fracasso de público e uma decepção de crítica, talvez por causa de tanta expectativa. Germano Pereira, meu sócio, é um dos admiradores do livro e da obra de Stephen King e vai abrir uma polêmica depois acompanhada pela crítica americana. Pergunta Germano: Por que Black Tower é tão bom? Simplesmente porque é um clássico afirma ele. E assim prossegue: “temos a tendência em rotular clássicos somente quando são livros intelectualizados demais, e, principalmente, quando são antigos; com a preferência que seus autores estejam mortos. Não cometamos esse erro com o autor King. Black Tower tem vários méritos, desde a sua concepção até o seu encerramento. Foram 33 anos de criação prolífica e engenhosa. É uma heptologia – sete livros – com o acréscimo de um tardio oitavo livro, que na história se localiza entre o quarto e o quinto volume. Tower é um gigante literário, cheio de imaginação, poesia, indagação ética, e, por que não falar: quântico. Já que flerta com outros universos paralelos. 

A Torre é o amadurecimento de Stephen King e sua obra mestra. E por que? Primeiro porque ele mesmo diz isso em sua biografia. Segundo porque na série simplesmente estão contidos vários outros livros do autor. Ele criou uma forma geométrica em sua obra em que se abrem portais para outras histórias dele mesmo. A série de oito livros da Torre Negra é a essência da forma geométrica e os braços dessa forma, o ligam a outra série de livros que são: It, a Coisa; Carrie, a estranha; A dança da morte; O talismã; A hora do vampiro; Saco de Osso; A casa Negra; Insônia; Rose Madder; Buick 8; Christine; O iluminado; Celular; O cemitério; Cujo; Sob a redoma. Isso é instigante e muito engenhoso. É difícil imaginar tal estrutura? Pois é. É difícil e mágico. Vale a leitura somente por esse fato.

Saiba descobrir junto com Roland Deschain (personagem que contempla o arco da jornada do herói) o que é a Black Tower e onde ela está é um grande desafio. O problema de muitas pessoas é que elas não têm mais a paciência e inteligência para ler uma obra como essa, e que lhe renderiam muitos frutos. Estão mais preocupadas em se desperdiçar em leviandades e vícios. Outras tantas estão preocupadas em criticar o filme porque vai ser adaptado de forma diferente dos livros. Bullshit. Deveríamos ser gratos por ter duas opções. Afinal são dois veículos expressivos diferentes.

Uma proposta: Leia & assista. E conclua o paradoxo de duas ou infinitas interpretações da mesma obra. Nem quadrado nem triângulo, tampouco linhas retas, mas tudo junto e misturado, e muito, muito mais.

Resumo: O último pistoleiro Roland Deschain está numa batalha eterna com Walter O'Dim, também conhecido como o Homem de Preto. Determinado a evitar que destruam a Dark Tower que tem dentro de si o universo completo. Com o destino do mundo em jogo, o bem e o mal colidam numa última batalha em que apenas Roland pode defender a Torre do homem de Preto.

Com um orçamento de 60 milhões de dólares, nada excessivo para um filme de sua envergadura, rendeu apenas cerca de vinte milhões no primeiro fim de semana (e mais 6 milhões e pouco nos dias seguintes). O que é pouco já que o escritor King tem um enorme público consumidor! O livro estava para ser adaptado para o cinema pelo J.J. Abrams, depois do sucesso de sua série de TV Lost (04) mas ele desistiu. Ron Howard herdou o projeto, mas os direitos autorais foram parar com Arcel. Mas quem é essa figura?

Não é russo como o nome poderia parecer, mas é dinamarquês, de Copenhagen. Nascido em 1972, formou-se no European Film College, em Ebeltoft. Vive com a atriz Rosalind Mynster. Na verdade, ficou famoso como roteirista de alguns filmes de sucesso, como Os Homens que Não Amavam as Mulheres, 09, O Amante da Rainha, 12, e irá fazer, se tudo der certo, a série de TV da Dark Tower. Fez como diretor apenas cinco filmes sendo que o único que passou aqui comercialmente foi O Amante da Rainha, com a jovem Alicia Vikander, Mads Mikelsen. É possível se creditar a ele, a decepção do filme.

O elenco foi também causador de polêmicas. Muita gente se opôs a escolha de Idris Elba para o papel de Roland. Mas ele é extremamente carismático, e o sucesso nos EUA parece inevitável. Seu pai veio da Africa, Sierra Leone, a mãe de Ghana, nascido em 1972. Ganhou bolsa de estudos, depois arranjou pontos em series. Os primeiros sucessos foram para a HBO (A Escuta), na BBC (a série Luther que dura até hoje), e depois muitos filmes de sucesso entre eles, Thor (11), Thor o Mundo Sombrio (13), Prometheus, Beasts of No Nation, Star Trek sem Fronteiras. Seu inimigo no filme é o premiado com o Oscar Matthew McConaughey, que como todos sabem é casado com brasileira.

Conclusão: Não há dúvida que o autor King (que por sinal é mesmo brilhante e um mestre do seu gênero) não tem culpa do fracasso. A coisa mais lógica é culpar o diretor desconhecido que não estava preparado para um projeto tão ousado. E demonstra-se mais uma vez que excesso de efeitos e truques visuais não salva um filme. Lamento pelos fãs (também me considero um desde os tempos da genial Carrie, a Estranha) e a oportunidade perdida.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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