RESENHA CRÍTICA: 7 Dias em Entebbe (Entebbe ou 7 Days in Entebbe)

Acaba sendo em todos os sentidos uma triste decepção

19/04/2018 23:22 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: 7 Dias em Entebbe (Entebbe ou 7 Days in Entebbe)

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7 Dias em Entebbe (Entebbe ou 7 Days in Entebbe)

EUA, 18. 1h47 min. Direção de José Padilha. Roteiro de Gregory Burke. Com Rosamund Pike, Daniel Bruhl, Eddie Marsan (com Shimon Peres), Ben Schnetzer (Idi Amin), Nonso Anonzie, Markie Ivanir, Juan Pablo Raba, Denis Menochet, Lior Ashkenazi (como Rabin) Diamond.

Foi uma má ideia que resultou num tremendo fracasso de bilheteria e crítica, que não rendeu mais de 3 milhões e pouco de dólares! Em parte porque aproveitaram uma velha história que já conhecíamos de outras versões:

1) Vitória em Entebbe (Victory at Entebbe), 1h59min. Direção de Marvin Chomsky (ainda vivo). Com Helmut Berger, Linda Blair, Kirk Douglas, Richard Dreyfuss, Helen Hayer, Burt Lancaster, Elizabeth Taylor, Anthony Hopkins, Theodore Bikel. Warner. Feito originalmente para a televisão às pressas, porque desejavam retratar os fatos reais com a maior antecedência, rodando tudo com pressa e um elenco de astros e estrelas famosas (ponta de Elizabeth Taylor). Concorrendo com outro semelhante que passou um mês depois na TV 5 meses depois dos fatos (vide abaixo). O ator Godfrey Cambridge morreu durante as filmagens feitas e apresentadas em videotape e por isso teve que ser substituído por Yaphet Kotto como Idi Amin Dada.

2- Resgate Fantástico (Raid on Entebbe), 2h25min. 1976. Também feito para a TV, com bom elenco, chegou a ganhar Globo de Ouro de telefilme. Além de dois prêmios Emmys! O diretor é Irvin Kershner (1923-2010) de O Império Contra Ataca é obviamente melhor que os dois rivais. No elenco, Charles Bronson, Peter Finch, Yaphet Kotto, Martin Balsam, Horst Buccholz, John Saxon, Jack Warden, Sylvia Sidney, Robert Loggia, Eddie Constantine, James Woods.

3- Operação Thunderbolt (Mivtsa Yonatan), 2h4min, 1977. Direção de Menahem Golan. Com Gila Almagor, Assif Dayan (1945-2014, filho de Moshe Dayan), Yehoram Gahom, Klaus Kinski, Sybil Danning. Foi indicado ao Oscar de filme estrangeiro! Golan era na Época o maior produtor de filmes de ação na Europa e naturalmente Israel. Como os anteriores, conta com orçamento bem mais modesto, como em Julho de 1976, o vôo da Air France teve que descer em Entebbe, Uganda, ameaçado por terroristas e os passageiros judeus foram separados com destinados a prisões. O governo de Israel depois de discussões polêmicas resolveu enviar um comando de elite para atacar e salvar os prisioneiros. Baseado nos fatos reais, mostra até o retorno das vitimas.

A nova versão de Entebbe.

Este é apenas o segundo roteiro escrito por um inglês chamado Gregory Burke e que tinha feito antes dois telefilmes e 71: Esquecido em Belfast, 2014, de Yann Demange, com Jack O´Connell. Isso pode explicar porque é medíocre e dispensável esta história vestuta e pouco emocionante, até porque depois dele outros fatos semelhantes sucederam e o mundo cá ente nos ficou muito mais perigoso e violento. Também achei infeliz em quase tudo, começando com a excelente atriz britânica e já indicada ao Oscar, Rosamund Pike, que está irreconhecível de cabelo escuro e assustadoramente ruim. O mesmo se pode dizer de outro bom ator, o hispano-alemão Daniel Bruhl, que faz o principal sequestrador (parece inchado e perdido, aliás como quase todo o elenco). Não acertou tampouco na discussão dos lideres israelenses e no clima de possível suspense. A única coisa que estranhamente veio dar um tom forte ao filme, é o diretor brasileiro Padilha, que aproveitou a existência anterior de um polêmico e maravilhoso balé de Israel. Seu grande impacto quase salva o filme! Quase...

Pedi a ajuda do meu amigo Claudio Erlichman que explica algumas coisas: “A coreografia que aparece no filme é do coreógrafo israelense Ohad Naharim, conhecido como Gaga, que teve um documentário premiado na Mostra de São Paulo, e depois fez muito sucesso quando entrou em circuito. Recebeu o título de Gaga - O Amor Pela Dança. A música utilizada se canta em Pessach (a Páscoa judaica). É um cântico religioso chamado Echad Mi Yodea (em Yiddish: ווער קענ זאָגן ווער קענ רעדן ver ken zogn ver ken redn) (Ladino: "ken supyese i entendyese") (Hebreu: אחד מי יודע ekhád mi yodeá) (Bukhori: Yakumin ki medonad?) (Who Knows One?) é uma canção cumulativa tradicional usada na Páscoa e encontrada no haggadah. Enumera motivos comuns judeus e ensinamentos. Sua intenção é ser alegre e bem humorada, embora também passem importantes lições para as crianças presentes. As recitações variam de família para família. A canção, teve versões em Yiddish, e Hebreu mas também outras linguagens. Pode ser um jogo de memória, ou recitado sem ser olhar o texto. A proposta é recitar o verso inteiro em um único fôlego.”

Sobre o Padilha, prossegue Claudio, “achei que ele teve uma postura anti-israel, anti-sionista e portanto anti-semita.Ele retrata o terrorista alemão da Baader-Meinhof como se fosse uma pessoa boa e cheia de compaixão e os palestinos do grupo terrorista FPLP (Frente Para a Libertação da Palestina) como se fossem heróis de uma causa. No início do filme o há uma legenda falando que só Israel os tratava como terroristas. Mais não é fato. O mundo todo os tratava assim, o que para mim mostra a parcialidade do Padilha.”

Enfim, acaba sendo em todos os sentidos uma triste decepção.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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