RESENHA CRÍTICA: No Olho do Furacão (The Hurricane Heist)

É muito raro hoje em dia assistir um filme de ação por mais tolo que seja com efeitos tão ruins, uma trama tão obtusa e ridículo

06/06/2018 16:18 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: No Olho do Furacão (The Hurricane Heist)

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No Olho do Furacão (The Hurricane Heist)

EUA, 18. 1h43 min. Direção de Rob Cohen. Roteiro de Scott Windhauser. Jeff Dixon, história de Carlos Davis, Anthony Fingleton. Com Toby Kebbell, Maggie Grace, Ryan Kwanten, Ralph Ineson, Melissa Bolona, Ben Cross, Jamie Andrew Cutler.

Este é o filme que para mim bate o recorde de numero de produtores, sendo 37 registrados na divulgação (na verdade reconheço poucos, como o ex-galã e famoso produtor de filmes de ação na Europa, o astro Trinity Terence Hill). Mas conheço razoavelmente bem o diretor do filme a quem entrevistei uma vez que rodou um comercial no Brasil, o Rob Cohen, com quem tive uma excelente conversa, chegando a chorar quando se lembrou de sua parceira com Hector Babenco (isso bem antes de Hector falecer) e chegou a me mandar um video disco de um trabalho que tinha realizado. Na verdade, Cohen tem uma carreira muito irregular e até hoje ainda não teve a consagração, principalmente como o criador e diretor do primeiro filme da série Velozes e Furiosos (o que iniciou a franquia). Seus outros trabalhos incluem muita ação, como Triplo X, Coração de Dragão, A Múmia, O Garoto da Casa ao Lado, Bruxas de Eastwick e muito mais.

 Não me perguntem por que com tanto crédito resolveu fazer este tipo de filme de ação, sem nenhum prestígio (na verdade é um thriller de ação que estreou em março nos EUA e custou 45 milhões de dólares, rendendo apenas pouco mais de 6 milhões, péssimo para o gênero). Dizia na chamada, a tempestade perfeita (ou definitiva) para o assalto perfeito. O elenco é de segundo time. O protagonista ainda é pouco reconhecido por aqui, o britânico Toby Kebell, que não me marcou com O Planeta dos Macacos - A Guerra, Kong a Ilha da Caveira, o lamentável Ben-Hur (onde foi Messala). Dr. Doom em Quarteto Fantástico, Cavalo de Guerra, de Spielberg, Rock n´rolla a Grande Roubada (num total de 47 créditos e não ser reconhecido não é bom sinal). Continua com cara de gaiato, ou seja, no filme errado. A seu lado outros secundários como o australiano Ryan Kwaten (que fez aqui Rio, Eu Te Amo, episódio, e na TV Jason em True Blood). Seu papel é desprezível, fraco demais. Salva-se Maggie Grace (de Lost, Fear the Walking Dead) que ao menos é bonita. E olhe lá, esses são os mais famosos…

Curiosamente nos anos 90 Stallone pensou em fazer um filme semelhante chamado Gale Force, sobre quadrilha que tenta roubar durante furação. Houve briga e a produtora Carolco resolveu fazer em vez dele, Risco Total (93). Dois anos depois ele quase fez outro filme semelhante chamado The Great Red Spot. Houve ainda outros projetos semelhantes, mas que não foram adiante.

Em geral filmes desses têm sempre um prólogo, no caso é muito rápido e passa-se em 1992, quando dois irmãos do Alabama, Will e Breeze tentam escapar a força de um furacão Andrew com seu pai (enquanto os filhos assistem com horror a morte do pai e vá se entender porque nas nuvens se forma uma figura de caveira gigante!). 25 anos depois Will se tornou um meteorologista - que tem medo do mal tempo! - enquanto Breeze fica numa casa de Gulfport para cuidar da herança do pai e se divertir como alcoólatra. Até que chega a nova tempestade chamada Tammy. Aí que de fato começa a trama sobre um grupo de ladrões que deseja roubar 600 milhões em dinheiro velho e assim destruir o Tesouro do Governo americano. O plano estúpido e diabólico só poderia ser impedido por uma empregada do Tesouro (Maggie).

Ainda assim, o surpreendente é a má qualidade de praticamente tudo. Os efeitos não são nada especiais e alguns deles visivelmente são patéticos enquanto o próprio prédio assaltado é paupérrimo. Nem por isso deixa de ter heróis voando pelo céu, enfrentando enchentes, num absurdo total. É muito raro hoje em dia assistir um filme de ação por mais tolo que seja com efeitos tão ruins, uma trama tão obtusa e ridículo. Para suportar só rindo e debochando...

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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