O Maior Espetáculo da Terra

É sem dúvida, o mais marcante (e indicado) filme de circo já feito

20/07/2018 23:50 Por Marcus Pacheco
O Maior Espetáculo da Terra

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Com exatos 1h24min de filme, o grande Sebastian (Cornel Wilde) prepara seu salto duplo sem rede para impressionar sua amada, Holly (Betty Hutton). Quem assistiu ao filme, sabe que o salto termina de forma bem desfavorável.

Mas na cena em questão, há uma daquelas falhas abissais: ao cair, ele bate no chão com o corpo virado para cima, e um olhar atento, verá que no chão há um fundo falso com algo para amortecer a queda e o corpo dele "afunda". E um corte rápido, mostra ele caído, ferido, com o corpo virado para baixo. 

Esta cena capital, mostra como o cinema daqueles anos não contavam com um DVD dando pause para rir das falhas de edição alheia. O espectador hoje não só tem o olhar atento, como também tem o pause pronto para funcionar até no controle virtual do celular (nem as pilhas fazem falta mais).

Independente de falhas comuns como esta, que permearam o cinema até meados dos anos 2000 (depois disto, tornou-se comum apagar digitalmente detalhes que passassem pelo crivo do editor), este ótimo filme dirigido pelo grande Cecil B. De Mille, é uma produção mezzo filme de circo, mezzo disaster movie.

O filme arrebatou o Oscar de melhor filme, numa das vitórias mais questionáveis de todos os tempos, batendo filmes como Matar ou Morrer, Depois do Vendaval e a unanimidade Cantando na Chuva, que está na lista dos melhores dos melhores filmes do cinema. Mas afinal, o que O Maior Espetáculo da Terra tem demais? A resposta é simples: tudo.

Por mais que façam filmes geniais de circo, como o recente Rei do Show, com o Hugh Jackman, não há um filme sequer na história do cinema que seja mais visto, mais lembrado que este. Seja pela direção, que por vezes parece apenas curtir o show, seja pelo super elenco, que conta com o Mr. Épico Charlton Heston e o grande James Stewart, que passa o filme com rosto coberto, por um motivo obscuro.

A trama conta a história do empresário Brad Braden (Charlton Heston), que é proprietário de um circo chamado ''Ringling Brothers and Barnum & Bailey", e deseja organizar mais uma temporada de sucesso. Para isso, ele contrata um famoso trapezista conhecido como "O Grande Sebastian" (Cornel Wilde). Porém, Braden e Sebastian logo se tornam rivais, pois disputam o amor da também trapezista Holly (Betty Hutton). Enquanto isso, Braden precisa cuidar de toda sua trupe, e os problemas que surgem com o cargo.

Cecil B. DeMille foi sempre foi exigente com seus atores e atrizes. Ele insistiu que todos realmente aprendessem a executar as acrobacias de circo que deveriam apresentar. Isto significava que Betty Hutton realmente aprendeu trapézio e Gloria Grahame teve que deixar um elefante descansar o pé um centímetro em seu rosto. Cornel Wilde teve provavelmente o pior desempenho uma vez que ele interpretava um equilibrista. Ele tinha muito medo de altura na vida real.

Lucille Ball foi a primeira escolha de Cecil B. DeMille para o papel de Angel, mas ela ficou grávida e foi substituída por Gloria Grahame. Paulette Goddard também era uma forte concorrente ao papel, mas foi recusada devido à sua relutância em realizar cenas perigosas.

O filme concentra parte do enredo nos problemas que cercam a administração do espetáculo. A corrupção que alguns empresários querem pôr sobre Brad, o qual os expulsa das redondezas do circo, para não "infectarem os outros, como uma maça podre". A traição de um dos domadores dos elefantes, querendo vingança pela traição de sua namorada, a Angel, apaixonada por Brad. As dificuldades econômicas, estruturais e normais que qualquer empresa com 1.300 participantes têm. No fim da temporada dos espetáculos, todo o circo levanta acampamento da cidade e recomeça a odisseia atrás de outras localidades. 

Outro fato interessante é a similaridade do personagem de Charton Heston com Indiana Jones, principalmente por conta de suas roupas. Não à toa,  este foi o primeiro filme que Steven Spielberg viu no cinema, aos quatro anos, junto de seu pai, após este prometer-lhe uma ida ao circo. Lembre-se que um dos acessórios mais conhecidos do personagem é o chicote. E mesmo a personalidade de Brad, flutua entre o bom e mau caráter simpático, tal como o nosso querido Indiana.

Enfim, um filme essencial, charmoso, e que passa voando (2 horas e meia de projeção), ainda que muitos questionem o fato de não ser o melhor filme de 1952, é sem dúvida, o mais marcante (e indicado) filme de circo já feito, com todas as virtudes e defeitos que uma produção dos anos 50 deste porte pode ter.

Ahh... faltou dedicar uma linha a uma das músicas mais belas do cinema, que permeia todo filme. Certamente, daquelas que muitos saíram assobiando do cinema. 

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Sobre o Colunista:

Marcus Pacheco

Marcus Pacheco

Marcus V. Pacheco é jornalista, formado na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Cinéfilo, Editor de site, Colecionador e Escritor. Marcus já realizou vários curtas metragens e um longa chamado "O último homem da terra (2001)", baseado no conto de Richard Matheson. Escreveu também 30 e-books sendo 29 sobre cinema e um de ficção que está em fase inicial para publicação. Criador e editor do site "Tudo sobre seu filme (http://www.tudosobreseufilme.com.br/)" onde publica críticas, listas, aulas de cinema e curiosidades do mundo da 7ª arte há 4 anos, além de realizar entrevistas com atores, diretores, críticos e colecionadores do mundo todo.

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