RESENHA CRITICA: AGENTE SECRETO

Indicado em 4 categorias do Oscar(R) 2026

23/01/2026 14:05 Da Redação
RESENHA CRITICA: AGENTE SECRETO

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AGENTE SECRETO

Um filme com identidade, densidade e precisão artística.
Cinema adulto, inquietante e memorável.

Agente Secreto é daqueles filmes que não se explicam em uma frase, porque sua força está justamente nas entrelinhas.A direção de Mendonça Filho aposta em uma narrativa tensa, construída com paciência e rigor formal. Cada cena parece pensada para criar atmosfera antes de oferecer respostas. Há um controle impressionante do ritmo, que nunca cede à pressa fácil do cinema de “espionagem” convencional.

Wagner Moura entrega uma atuação densa, econômica e cheia de camadas.Seu personagem carrega no corpo e no olhar o peso da desconfiança permanente. Não há heroísmo explícito, mas sim sobrevivência e ambiguidade moral. É uma interpretação madura, que confirma seu domínio absoluto da cena.

A encenação valoriza o silêncio tanto quanto o diálogo. A câmera observa, espia, espera — como se também fosse um agente infiltrado. O trabalho de direção demonstra segurança e personalidade, qualidades raras em filmes do gênero.
Nada é sublinhado além do necessário.

A tensão da época da ditadura permeia cada gesto e cada silêncio, criando um clima constante de ameaça invisível. O medo não é verbalizado, mas sentido na vigilância permanente e na desconfiança entre personagens.O filme traduz com precisão a opressão cotidiana de um período em que qualquer passo em falso podia ser fatal.

Há também citações claras e sutis ao cinema político e aos thrillers de espionagem dos anos 1970. Certas escolhas de enquadramento e ritmo evocam clássicos do gênero, sem jamais soar como cópia. As referências funcionam como diálogo respeitoso com a história do cinema, reforçando a identidade da obra.

O regionalismo de Recife não é mero pano de fundo. A cidade respira dentro do filme, com suas ruas, sons e contrastes sociais. O cenário urbano dialoga diretamente com o clima de vigilância e instabilidade. É um Recife vivido, longe do cartão-postal, integrado à narrativa.

A reconstituição de época é cuidadosa e discreta. Figurinos, objetos e ambientações surgem com naturalidade, sem ostentação. Tudo parece organicamente inserido no contexto histórico. A trilha sonora reforça a tensão, surgindo de forma pontual e precisa.

O reconhecimento no Globo de Ouro confirma a força internacional da obra.
Não se trata apenas de um prêmio, mas do reconhecimento de um cinema autoral consistente.

Agente Secreto desafia o espectador a observar mais do que consumir.

Um filme sério, elegante e profundamente brasileiro.

Nota: 4,5 / 5

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Sobre o Colunista:

Edinho Pasquale

Edinho Pasquale

Editr-Executivo do site DVDMagazine

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