As Cronicas do Mundo Fantastico

O escritor ingl?s Clive Staples Lewis criou um dos universos literarios mais estimados do seculo XX

26/04/2026 03:46 Por Eron Duarte Fagundes
As Cronicas do Mundo Fantastico

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O escritor inglês Clive Staples Lewis criou um dos universos literários mais estimados do século XX, a despeito de circunscrever-se à literatura voltada para as crianças e do preconceito que habitualmente se tem com a buscada ingenuidade destes textos que emulam o andar da carruagem nas mentes dos pequenos. Os sete livros compostos por Lewis, trilhando cenários e situações semelhantes e personagens que se reiteram estão reunidos em As crônicas de Nárnia (The complete chronicles of Narnia; 1950/1956). Nárnia, o país mágico inventado pela imaginação do romancista, tem então suas crônicas? Crônica é jornalismo, é cotidiano, opõe-se em princípio ao fantástico; mas a natureza da escrita de Lewis aproxima os dois conceitos, a fantasia e a crônica. Impressiona, logo, a maneira como o transcendental ou sobrenatural emerge da criação de Lewis: tudo parece natural e cotidiano nas coisas estranhas que acontecem.

Iniciando O sobrinho do mago, Lewis põe os passos mesmo de uma crônica, de anotações do tempo. “O que aqui se conta aconteceu há muitos anos, quando vovô era menino, pois explica como começaram as idas e vindas entre o nosso mundo e a terra de Nárnia.”

O desaparecimento de Polly para um mundo ignoto é somente um dos muitos lances que a arte de Lewis sabe driblar com lucidez. A tradução brasileira é, em sua maior parte, de Paulo Mendes Campos, somente o último livro é traduzido por Silêde Stuernagel. Nas pegadas da versão em português, nota-se o engenho narrativo do autor irlandês, que, estudioso das formas da língua dentro do imaginário do homem de seu local e tempo, mantém os ponteiros de seu relógio em constante estado de alerta. “O fogo crepitava na lareira; era um verão muito frio, como você se lembra. Diante do fogo estava uma poltrona alta. Entre a poltrona e Polly, enchendo quase a metade da sala, havia uma mesa enorme, repleta de objetos —livros, cadernos grossos, vidros de tinta, canetas, um microscópio.”

E por aí segue. Não é mesmo uma crônica de estranhezas no habitual, na captação duma atmosfera pré-kafkiana? Embora uma rainha do sub-mundo deboche do incauto duma personagem, asseverando que “não há nenhuma terra chamada Nárnia”, a melancolia da “última batalha”, no livro final, insta que sim, havia uma Nárnia que o desbotado dos anos consumiu. “Nos últimos dias de Nárnia, lá para as bandas do Ocidente, depois do Ermo do Lampião e bem pertinho da grande cachoeira, vivia um macaco.” Nárnia não somente existiu como nunca termina.

 

(Eron Duarte Fagundes – eron@dvdmagazine.com.br)

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Sobre o Colunista:

Eron Duarte Fagundes

Eron Duarte Fagundes

Eron Duarte Fagundes é natural de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, onde nasceu em 1955; mora em Porto Alegre; curte muito cinema e literatura, entre outras artes; escreveu o livro ?Uma vida nos cinemas?, publicado pela editora Movimento em 1999, e desde a década de 80 tem seus textos publicados em diversos jornais e outras publicações de cinema em Porto Alegre. E-mail: eron@dvdmagazine.com.br

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