RESENHA CRÍTICA: Versões de um Crime (The Whole Truth)
O filme vai piorando com o transcorrer da trama muito mal feita. A ponto de ser irritante
Versões de um Crime (The Whole Truth)
EUA,16. 93 min. Direção de Courtney Hunt (o diretor, apesar do nome, é uma mulher que ficou conhecida por Rio Congelado, 08, e fez alguns episódios da série Terapia). Com Keanu Reeves, Renée Zelwegger, Gugu Mabtha-Raw, Jim Belushi, Gabriel Basso, Jim Klock.
Keanu Reeves retorna ao estrelato neste modesto e cambaleante drama de tribunal (ele voltou a ter sucesso com a série John Wick e no momento tem ao menos dez outros projetos em andamento). Por outro lado, depois de parecer que tinha ressurgido dentre os mortos, retomou sua doentia falta de expressão e aqui onde tem um papel que podia ser expressivo, um advogado de moral duvidosa. Esta péssimo, magro e pálido, como se não soubesse o que está fazendo neste roteiro horrível e mal desenvolvido que o próprio autor assinou com pseudônimo (como Rafael Jackson quando se trata de fato do conhecido Nicholas Kazan, filho do lendário diretor Elia Kazan e que chegou a concorrer a Oscar por Reverso da Fortuna).
Embora seja basicamente um drama de tribunal, difícil encontrar uma história pior desenvolvida como aqui, quando Keanu é o advogado Ramsey que está defendendo o filho de um milionário sem vergonha (Belushi), mas é justamente neste filme que ocorreu aquele escândalo de imprensa porque Renee Zelwegger apareceu completamente irreconhecível, fazendo supor que tivesse feito alguma forma de plástica. E, na verdade, depois de seis anos de ausência da tela, ela repete algumas de suas caretas e tem uma interpretação sofrível o que faz pensar de que de fato ela teria sofrido alguma maquiagem que a deixou estranha, mas não de forma permanente (até porque então no recente O Bebê de Bridget Jones recuperou parte de sua aparência. Ela já fez um novo filme chamado Same Kind of Differente Me, que parece premonitório, o mesmo tipo de um Eu diferente! com Jon Voight, Greg Kinnear).
Voltando ao filme atual, que naturalmente foi muito mal de bilheteria, coisa normal hoje em dia nos EUA, ele vai piorando com o transcorrer da trama muito mal feita. A ponto de ser irritante.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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