RESENHA CRÍTICA REVISTA: A Espera (L´Attesa)
Discreto, sóbrio, fugindo do melodrama mas mesmo assim sendo sempre sensível. Um dos poucos destaques do cinema europeu neste ano infeliz
A Espera (L´Attesa)
Itália, 15. 1h50min. Direção de Piero Messina. Com Juliette Binoche, Giorgio Colangeli, Lou de Laage, Domenico Diele, Antonio Folletto, Corinna Locastro.
Ficou difícil perdoar a grande estrela francesa Juliette Binoche agora em sua infeliz participação no mal sucedido O Vigilante do Amanhã quando ela é capaz de grandes interpretações (contida e sofrida) como neste filme italiano do diretor siciliano Messina (primeiro longa de uma série de curtas e documentários). Trata-se de um drama que ganhou três prêmios menores em Veneza, outro em Bari, e dois prêmios dos críticos italianos. Não é um filme divertido, mas uma historia sensível em cima da dupla, a grande Binoche e uma nova atriz bonita e atraente Laage (Agnus Dei, Respire). Ela, Jeanne, sai de sua casa para reencontrar o namorado que deve estar na casa grande de sua família que fica na região do Ethna, na Sicilia. O espectador fica sentindo o problema, quando percebe que o rapaz morreu e a mãe não consegue esconder o luto. Por outro lado, Jeanne é recebida com atenção, mas sem que lhe desvendem a realidade. Mas um laço forte se forma entre as duas mulheres. Discreto, sóbrio, fugindo do melodrama mas mesmo assim sendo sempre sensível. Um dos poucos destaques do cinema europeu neste ano infeliz.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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