RESENHA CRÍTICA REVISTA: Ghost in the Shell: A Primeira Vez Engana!

Francamente não entendo porque fui tão generoso com o filme!

03/04/2017 23:44 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA REVISTA: Ghost in the Shell: A Primeira Vez Engana!

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Já faz tempo que tenho procurado sempre assistir uma segunda vez os filmes mais importantes, ou mais polêmicos. Ou que foram indicados ao Oscar. Em parte porque sei que não sou perfeito, e por vezes tenho que atender um fone de emergência, ir a um banheiro correndo ou ate mesmo sair para fazer alguma entrevista (isso sucedia muito em festivais em particular Cannes e me deixava louco!). Hoje o mais normal é ser enganado pela expectativa, pelo fato de estar assistindo a estreia com uma plateia espontaneamente positiva, numa sala classe A, com um projeção excepcional em IMAX ou 3D (que francamente estão se tornando incômodos e já poderiam ser descartados).

Mesmo assim, ou justamente por causa de tudo que mencionei acima, a gente se engana. Talvez porque na promoção do filme a expectativa é mais do que a realidade. Às vezes nós simplesmente gostaríamos de gostar do filme, ou da estrela e no impacto inicial, mergulhar nele. Acho que foi este o caso do Ghost in the Shell, que fracassou com a crítica americana e com a bilheteria (não passou de dezenove milhões de dólares).

O fato é que fiquei profundamente decepcionado em assistir um filme de ação de alto custo numa tela de projeção normal. E de repente, o rei ou a rainha, como dizia a velha história de fadas, estavam nus. Nunca vi Scarlett Johansson uma atriz que parecia sempre interessante se apresentar de uma maneira tão pouco atrativa. Sem vida, sem força, sem garra, escondendo a beleza através de uma maquiagem pesada que lhe deu um focinho de bicho – mas não de oriental como parece que se pretendiam. Falhando a protagonista, não fica distante outra favorita de muito charme que é a Juliette Binoche, que parece constrangida em estar ganhando um bom salário num filme de valor tão discutível. Ainda mais se for dela ter alguma força budista ou oriental e perceber que o diretor novato e toda a equipe não terem noção do que estavam fazendo. Se perdendo no que acaba sendo uma aventurazinha superficial e até ofensiva até para quem conhece superficialmente a complexa liturgia do roteiro – uma história já vista antes em outras versões.

Francamente não entendo porque fui tão generoso com um filme tão cheio de defeitos evidentes, começando com o elenco de apoio que traz o veterano ator e diretor de policiais, o Kitano, completamente sem energia no que deveria ser o duelo maior entre os protagonistas. A Direção de Arte tinha me impressionado a primeira vista, mas só pode algum delírio. Gostaria de saber agora o que os críticos do oriente acharam deste resultado e eu mesmo devo ficar mais atento a esses meus devaneios juvenis fora de hora.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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