RESENHA CRÍTICA: A Morte de Stalin (The Death of Stalin)

É uma comédia diferente, até ousada. Não de matar de rir, mas tem surpresas e muitas ironias. Por isso merece ser checado

06/06/2018 17:50 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: A Morte de Stalin (The Death of Stalin)

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A Morte de Stalin (The Death of Stalin)

Inglaterra, França, Bélgica, Canadá, 2017. 1h47min. Direção de Armando Ianucci. Roteiro de Ianucci, David Schneider, Peter Fellows, Ian Martin, baseado no livro humorístico de Fabien Nury, Thierry Robin. Com Olga Kurylenko, Tom Brooke, Paddy Considine, Jeffrey Tambor (Malenkov), Steve Buscemi (Kruschev), Simon Russell Beale (Beria), Michael Palin - do grupo Monty Python (Molotov), Andrea Riseborough (Svetlana filha de Stalin), Rupert Friend (Vasily), Jason Isaacs (Zhukov), Gerald Lepkowski (Brezhnev),Luke D´Silva (Moskalenko).

Chega com certo atraso esta comédia (nunca chega a ser chanchada), que depois de tantos anos finalmente alguém tem a coragem de fazer humor negro e brincar com a morte do maior ditador e criminoso do século passado, assassino de milhões de pessoas, mas que nem por isso deixou de ser cultuado durante décadas (em parte também porque os crimes eram muito bem escondidos e seus abusos cuidadosamente disfarçados). Curiosamente quem dirigiu este filme foi um certo Armando Iannucci, que apesar do nome não é italiano, nasceu em 1963, na Escócia, e tem sido mais conhecido com roteirista de comédias de TV (algumas de primeira linha, como Veep, In the Loop) e menos como diretor (fora séries deTV dirigiu a sátira Conversa Truncada que é o mencionado antes, In the Loop, 09, sobre um possível conflito entre EUA e Inglaterra. Chegou a ser indicado ao Oscar!). O resultado desta ousadia atual foi repleto de prêmios, com 2 indicações ao Bafta, prÊmio em Torino, mas pouca coisa mais como se o establishment ainda tivesse medo de mexer em ditadores polêmicos ainda cultuados! Afinal o filme foi evidentemente proibido pela atual Rússia (em 23 de janeiro de 18, dois dias antes da estreia, dizendo que o filme desconsagrava símbolos clássicos do país e seria uma afronta aos oficiais soviéticos! Foi rodado basicamente em Kivy, Ucrânia (exteriores), Londres (o interior do Convent Garden, como interior do Kremlin), Oxford (residência de Stalin), tudo em 2016. E baseado numa “revista-livro” gráfico francês.

A produção teve o cuidado de facilitar a compreensão dos costumes soviéticos (não se usa o cirílico, varias cenas são fatos reais, mas feitas de forma discreta - por exemplo, a jovem que ganha flores por ser forçada a transar com o ministro Beria). Mesmo assim, é um fato real pouco conhecido pelo público brasileiro, em parte porque tudo que vem da Rússia é escondido por sua mitologia, e isso torna o resultado com poucas chances de atingir jovens mas com certeza deve surpreender os mais velhos (Stalin o ditador morre e tem apenas algumas cenas) e a história é conduzida por seus asseclas, temerosos das consequências e todo o cuidado para eliminar testemunhas (na verdade, o humor chega a ser discreto, temeroso, nunca caindo em chanchada). Fica devendo um outro filme que poderia contar como foi a briga interna entre os herdeiros da União Soviética, já que os nomes e cargos deles estão muito distantes de nós, com uma única exceção que vem a ser Kruschev, justamente porque sairia o vitorioso e seria o grande rival dos Estados Unidos envolvido em fatos históricos (como a crise em Cuba). Quem o interpreta é um americano de peruca para parecer careca, Steve Buscemi. Outro americano Jeffrey Tambor, que faz Malenkov, sofre neste momento problemas por suas atitudes agressivas com as mulheres, mesmo quando trabalhava em séries de TV, onde fazia transexual.

De qualquer forma, é uma comédia diferente, até ousada. Não de matar de rir, mas tem surpresas e muitas ironias. Por isso merece ser checado.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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