RESENHA CRÍTICA: Desejo de Matar (Death Wish)

Conheça tudo sobre os filmes originais e o remake, agora com Bruce Willis

10/05/2018 16:01 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Desejo de Matar (Death Wish)

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Pensei que estávamos finalmente livres da praga chamada Desejo de Matar e que existe desde 1974. Certamente você se lembra do original:

Desejo de Matar (Death Wish), 93 min. Da Columbia. Diretor: Michael Winner. Elenco: Charles Bronson, Hope Lange, Vincent Gardenia, Steven Keats, William Redfield, Stuart Margolin, Stephen Elliott, Jeff Goldblum, Christopher Guest, Olympia Dukakis, John Herzfeld.
Sinopse: Paul Kersey, é um bem sucedido homem de negócios, casado e feliz. Numa tarde, sua mulher e filha são atacadas por três marginais. A mulher morre, a filha é violentada e entra em estado de choque. A polícia nunca conseguirá identificar os criminosos. Ele passa a andar armado, defendendo-se de todos os ataques. Sai à noite, atraindo os bandidos, para depois matá-los a sangue frio. A imprensa o apelida de “O Vigilante”.
Comentários: Primeiro de cinco continuações, todas estreladas por Bronson, no que constituiu o maior sucesso de sua carreira. Este primeiro ainda tem uma certa seriedade ao retratar a violência urbana. Mas sua tese é perigosa: a justiça com as próprias mãos. O diretor inglês Winner procurou fazer uma fita direta e eficiente (mas hoje sofre do visual envelhecido dos anos 70). Bronson faz um personagem caladão, de quem o público gosta. Há falhas na história e situações absurdas. Mas criou escola, tanto que nos anos 80, um nova-iorquino imitou o herói do filme, causando grande polêmica.

Depois vieram:
Desejo de Matar 2 (Death Wish II), 1982. Do mesmo Winner. Com Charles Bronson, Vincent Gardenia, Jill Ireland, J.D. Cannon, Anthony Franciosa, Ben Frank, Robin Sherwood, Silvana Gallardo, Robert F. Lyons, Laurence Fishburne, Lamont Johnson.
Sinopse: Paul Kersey mudou-se para Los Angeles, mas depois que sua empregada é violentada e sua filha é morta, resolve voltar a fazer justiça com as próprias mãos. O policial Frank Ochoa, seu ex-inimigo, agora lhe dá uma mão.
Comentários: Oito anos depois, a produtora Cannon desenterrou a série “Desejo de Matar”, fazendo esta continuação que mais parece uma refilmagem do original. O personagem não tem mesmo sorte. Todo mundo que encontra ou namora, acaba violentamente assassinado, para justificar a sua volta à atividade de “vigilante”. A moral fica cada vez mais duvidosa e o filme abaixo do medíocre. Jill Ireland (1936-90), mulher e musa de Bronson, faz uma jornalista e namorada dele, já que ele a impunha em todos os projetos. Foi a primeira trilha musical composta para cinema de Jimmy Page (do Led Zeppelin), que por sinal também faria “Desejo de Matar 3”.

Desejo de Matar 3 (Death Wish 3). 1985. Diretor: Michael Winner. Elenco: Charles Bronson, Deborah Raffin, Ed Lauter, Martin Balsam, Gavan O´Herlihy, Kirk Taylor, Alex Winter.
Sinopse: Paul Kersey retorna a Nova York para visitar um velho amigo mas ele foi espancado por uma gangue de Manny. Mas Paul que é preso e o chefe de policia que aprova sua ação lhe propõe acordo.
Comentários: Ainda este terceiro filme conta a direção do criador da serie o inglês Winner. Isso não quer dizer muito já que ele não é especialmente talentoso e faz tudo meio as pressas. De tal forma, que o filme foi considerado muito violento na época (teve que sofrer cortes para perder o R da censura) e o roteirista Don Jakoby retirou seu nome e assinou com pseudônimo de Mikael Edmonds. O próprio Bronson que raramente se manifestava deu entrevistas falando mal deste filme, do diretor e do fato de que fizeram cenas excessivamente violentas (são 48 mortes), sem seu consentimento. Ainda assim tem gente que acha que este é ligeiramente menos ruim que o número 2.

Desejo de Matar 4 (Death Wish 4 - The Crackdown). 1987. Diretor: J. Lee Thompson. Elenco: Charles Bronson, Kay Lenz, John P. Ryan, Perry Lopez, Soon-Tek-Oh, Dana Barron, Danny Trejo.
O lançamento dos cinco filmes da série numa mesma caixa em DVD, na época, possibilitam a constatação de que: 1) a série nunca foi boa, com sua moral altamente duvidosa de justiça pelas próprias mãos; 2) além disso, ela vai piorando progressivamente; 3) Bronson, que sempre foi ator limitado vai ficando mais velho, mais cansado, cada vez falando menos, fazendo menos. Estes últimos trabalhos dele demonstram como os filmes atuais mudaram o ritmo de narração, são muito rápidos e eficientes, do que estes que parecem lentos e precários, onde a montagem cheia de rabos deixa perceber o elenco ruim, a ação mal encenada e a trama cheia de furos.
Sinopse: Paul Kersey ataca os traficantes que foram responsáveis pela morte de sua enteada. Comentários: Começa com uma mulher sendo morta por bandidos, mas logo é a enteada de Bronson que morre de overdose de drogas provocando sua guerra contra os traficantes, com o apoio de milionário dono de jornal. Produzido pela infame dupla da Cannon, Globus-Golan, reutiliza trilha musical de outros filmes de Chuck Norris. Supostamente seria uma continuação direta do Duro de Matar 2, mas é difícil perceber isso. São 50 mortes gratuitas num filme desprezível. Mas ainda temos mais:

Desejo de Matar 5 (Death Wish 5 - The Face of Death). 1994. Diretor: Allan A. Goldstein. Elenco: Charles Bronson, Lesley Anne-Down, Michael Parks, Saul Rubinek, Robert Joy, Chuck Shamata, Kevin Lund, Miguel Sandoval.
Sinopse: Paul Kersey esta de volta a Nova York onde novamente sua noiva, uma bela criadora de moda é assassinada e sua filha seqüestrada por mafiosos. Vitima de um plano de extorsão do ex-marido. Parte então para esperada vingança.
Comentários: Último da série, feito sete anos depois, ainda pela Cannon mas lançado por outra firma pequena a Trimark. Ou seja, Charles Bronson (1921-2003) estava ainda mais velho, mais cansado, mais doente (o Alzenheimer era progressivo) e preocupado apenas em ganhar dinheiro para deixá-lo para a família (faria ainda mais 3 filmes mas só para a TV). O diretor é de quinta categoria porque Steve Carver o largou por causa do orçamento pequeno demais e o vilão é o insuportável Parks (o Adão de A Bíblia). Desta vez são apenas 12 mortos (8 pelo herói, o mais baixo de toda a série). E a Cannon chegou a anunciar mais um da série sem o astro, mas isso felizmente nunca sucedeu. Chegaram ao fundo do poço.

Porém não há mal que desapareça e agora temos nos cinemas, o novo:

Desejo de Matar (Death Wish), 18. 1h47 min. Direção de Eli Roth. Roteiro de Joe Carnahan. Com Bruce Willis, Vincent D´Onofrio, Elisabeth Shue, Dean Norris (famoso por Breaking Bad!), Camilla Morrone, Len Cariou, Kimberly Elise. Cotação: 2
Sinopse: O Dr.Paul Kersey é um cirurgião que salva vidas - era um arquiteto nos outros- que percebe que sua cidade esta cada vez mais violento quando sua mulher e a filha estudante são atacadas gravemente na casa deles no subúrbio. Fica revoltado e procura vingança, já que a pólicia parece sem tempo, fazendo justiça com as próprias mãos. Sendo chamado depois de O Anjo da Guarda.
Comentários: Chegou a render 33 milhões de dólares, que não é ruim, com o selo MGM, considerado uma refilmagem do primeiro original ainda baseado no livro de Brian Garfield de 1972, Na verdade, eu considero este diretor Roth, o mais grosseiro e estúpido, abusivo na violência de todos os realizadores de sua geração. É atualizado na medida em que também aborda os ataques em escolas e os abusos de armas, programas de radio servem para comentar os abusos, que já é alguma coisa. Além de tudo ser modernizado com memes, vídeos virais e assim por diante. A história se passa em Illinois, Chicago e não mais em Nova York, a não ser no final. Entre os atores que foram consultados para fazer o filme estavam Liam Neeson, Russell Crowe, Matt Damon, Brad Pitt, Benicio Del Toro,Will Smith. Stallone chegou a aceitar, mas largou falando em “diferenças criativas!”. O filme teve também suas criticas que o consideraram racista e de direita!

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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