RESENHA CRÍTICA: O Homem Perfeito
Preparem-se para uma boa surpresa. Uma comédia que não é chanchada, que não se perde em exageros e abusos. Experimentem.
O Homem Perfeito
Brasil, 2018. Direção de Marcus Baldini. Com Luana Piovani, Sérgio Guizé, Juliana Paiva, Eduardo Sterblitch, Marco Luque, Dani Calabresa. Produção de Tatiana Quintella. Roteiro de Tati Bernardi, Patricia Corso, Pedro Coutinho.
Preparem-se para uma boa surpresa. Uma comédia que não é chanchada, que não se perde em exageros e abusos. Muito bem interpretada, em particular por Luana Piovani, que retorna em plena forma, dominando com seu charme e encanto todo o projeto (quem dirige é Marcus Baldini, até agora mais lembrado como realizador de Bruna Surfistinha). Utilizando um elenco pequeno que não cai em exageros, é basicamente um show para Luana que é uma escritora especializada em escrever biografias de gente famosa, que ela transformava a seu bel prazer, naturalmente tornando tudo bem mais interessante. O problema é que já há algum tempo mantém um romance com um escritor de quadrinhos, cultuado por um pequeno grupo de fãs, mas incapaz de dividir as despesas da casa (quem faz o papel é Marco Luque, até agora mais conhecido como humorista de stand up e que consegue aqui criar uma figura diferente, mas também divertida e original. Na medida certa).
Aliás, talvez a maior qualidade desta comédia, fora o tom equilibrado de todas as sequências, é o permanente sorriso que provoca no espectador. Luana está cansada dos truques do companheiro, mas de certa maneira ainda gosta dele e isso acaba num conflito, justamente quando surge um novo candidato a biografado, um cantor roqueiro famoso e temos aí outro acerto, com a interpretação sobre medida de Sergio Guizé (que eu conheci quando começou no grupo do Satyros, para depois evoluir para competente comediante). E consegue aqui fazer uma parceria com Luana, muito divertida e na medida certa. Há um outro detalhe importante, que é a presença de uma jovem bailarina (feita com charme e beleza por Juliana Paiva) que Luque trocou por Luana. E o que mais me deixou curioso, é o fato de que o elenco é compacto, pequeno, todo mundo funcionando na hora certa, sem exagero ou caricatura.
É muito raro encontrarmos uma comédia de classe bem produzida como esta. Experimente.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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