NOS CINEMAS: A ODISSEIA
Indo direto ao ponto "O filme do ano"
Indo direto ao ponto "O filme do ano". Christopher Nolan conseguiu fazer seu primeiro épico um espetáculo cinematográfico enquanto obra de entretenimento e ainda fez do ato de assistir a um filme uma experiência catártica genuína. O apagar das luzes nos transporta para a Grécia antiga entrelaçando a viagem de Odisseu (Matt Damon) de volta à Ítaca à nossa alma de civilização milenar que repete os mesmos erros de seus antepassados. A ambição, o medo, o arrependimento, o abandono, os laços familiares, a lealdade e a traição... todos arquétipos do espírito humano retratados na visão do mesmo diretor e roteirista do excelente Oppenheimer (2024), a partir do poema épico de Homero. Nolan precisou fazer concessões com o longo poema de Homero que narra os eventos após a conclusão da Guerra de Troia.
Odisseu (Damon) faz uma árdua viagem de mais de 10 anos longe de seu lar cercado por pretendentes ao trono de Ítaca e à sua amada Penélope (Anne Hathaway). Alem das tramas palacianas, Telêmaco (Tom Holland) - filho de Odisseu e Penélope- busca por seu pai e pela paz em seu Reino. Com tantas passagens conduzindo os personagens, o longo texto, se fosse traduzido para o cinema de uma forma integral, caberia em um filme de 5 a 6 horas de duração. Mas, o roteiro de Christopher Nolan consegue absorver o principal da busca de Odisseu, sem se perder nos aspectos mágicos de um mundo habitado por Deuses e homens. Assim algumas passagens foram modificadas como, por exemplo, o encontro com o Polífemo, o ciclope, que no poema original de Homero traz um longo diálogo entre Odisseu e o ciclope. Este, no filme, é reduzido a uma criatura que praticamente não verbaliza o seu encontro com os humanos. O impacto do encontro permanece ainda assim dentro da jornada do herói clássica.
E é nesse quesito que é necessário lembrar antes de julgar se Christopher Nolan foi bem sucedido ou não em seu filme. Este entendeu que o cinema é uma linguagem visual e rítmica própria; tentar reproduzir a Odisseia de forma literal e exaustiva tornaria a obra inacessível ou maçante para o público moderno. Ao transformar o Polífemo em uma força da natureza primordial e aterrorizante e ao condensar a jornada, ele priorizou a imersão e o fôlego da aventura sem perder a essência da história.
Tal qual Peter Jackson em O Senhor dos Aneis (2001 a 2003), Nolan nos mostrou que o cinema nçao precisa se tornar refém de franquias, remakes e reboots. Há muitas histórias a serem contadas e a adaptar. Que venham as premiações
Sobre o Colunista:
Adilson de Carvalho Santos
Adilson de Carvalho Santos e' professor de Portugues, Literatura e Ingles formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pela UNIGRANRIO. Foi assistente e colaborador do maravilhoso critico Rubens Ewald Filho durante 8 anos. Tambem foi um dos autores da revista "Conhecimento Pratico Literatura" da Editora Escala de 2013 a 2017 assinando materias sobre adaptacoes de livros para o cinema e biografias de autores. Colaborou com o jornal "A Tribuna ES". E mail de contato: adilsoncinema@hotmail.com
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