A Crise Pol?tica e a Crise Humana
O diretor argentino Sebastian Borensztein centra a trama de seu filme A odisseia dos tontos (La odisea de los giles; 2019) durante o momento em que estourou a crise econ?mica do pais em 2001


O diretor argentino Sebastián Borensztein centra a trama de seu filme A odisseia dos tontos (La odisea de los giles; 2019) durante o momento em que estourou a crise econômica do país em 2001, quando a política econômica do governo, incapaz de equilibrar as contas públicas, atingiu os ativos financeiros depositados nos bancos pela população, a maioria poupadores de classe média e pobres, algo semelhante àquilo que, uma década antes, o governo Collor fez no Brasil. No entanto, Borensztein não fez propriamente uma narrativa política nem exacerba nos conceitos econômicos; a política e a economia são panos de fundo para que o realizador exerça o que lhe interessa, ver como o humano se comporta em situações-limite.
Há algo de crônica policial em A odisseia dos tontos, que é muito um filme de ação, bem-feito dentro daquilo quem um filme de compromissos comerciais sempre se exige: conquistar o público para as personagens e para as ações destas personagens. Para tanto, conta com um elenco que serve bem à empreitada; é claro que Ricardo Darín carrega o ritmo narrativo, mas não se pode esquecer o estofo de Rita Cortese, por exemplo, e mesmo a ajustada conduta interpretativa de todos os demais.
Borensztein ficou conhecido no Brasil por Um conto chinês (2011), também com um desenvolvimento narrativo de facilidades superficiais, é verdade, mas agradável de ver em todos os seus momentos. A obsessão com que as criaturas de A odisseia dos tontos vai, passados dois anos, atrás de recuperar o dinheiro (projetado para os negócios duma cooperativa) que um golpista lhes tirou valendo-se da confusão financeira e bancária de 2001, é constantemente tocante e nunca chega a fatigar o observador.
(Eron Duarte Fagundes – eron@dvdmagazine.com.br)


Sobre o Colunista:
Eron Duarte Fagundes
Eron Duarte Fagundes é natural de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, onde nasceu em 1955; mora em Porto Alegre; curte muito cinema e literatura, entre outras artes; escreveu o livro Uma vida nos cinemas, publicado pela editora Movimento em 1999, e desde a década de 80 tem seus textos publicados em diversos jornais e outras publicações de cinema em Porto Alegre. E-mail: eron@dvdmagazine.com.br

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