RESENHA CRÍTICA: Minúsculos, o Filme (Minuscule: La Valée des Formis Perdues)
Uma alternativa nova para crianças e adultos com coração poético
Minúsculos, o Filme (Minuscule: La Valée des Formis Perdues)
França, 15. Direção de Thomas Szabo, Hèléne Giraud.
É diferente e, portanto, já de começo bem-vindo este filme de animação europeu, basicamente francês, que trás uma alternativa nova para crianças e adultos com coração poético. Sua origem também é interessante. É uma produção do Canal France 2, que durante duas temporadas passou esta série chamada Minuscule, que foi exibida desde outubro de 2006 e depois voltou no canal France 5, com episódios de cinco a seis minutos . O sucesso foi tanto que resolveram expandir os episódios para conseguirem se tornar um longa-metragem, ainda por cima em Terceira Dimensão (tem cerca de hora e meia, bastante para crianças pequenas para o qual é mais indicado, até porque não tem diálogos).
A ideia é filmar os planos de fundo, os da natureza, em dois parques nacionais franceses, Ecrins e Mercantours. Os franceses, por sinal, amam esse tipo de coisa, foram indicados a prêmios nos de Annecy, no European Film Awards, Tallin e ganharam nos EUA no Mill Valley. Há um casal que dá inicio a historia, eles estão fazendo um piquenique no campo quando a esposa grávida sente que vai ter o bebê. O marido intui tudo e os dois saem para o Hospital. Só que deixam ali todo o farnel, incluindo barrinhas de açúcar. Os primeiros que os veem são as encantadoras joaninhas, como as nossas, mas que parecem voar com mais força. Investigam o lugar, mas uma delas sai ferida. Logo chegam as formigas sempre preocupadas com sua colônia que vive no formigueiro. Depois de erros e acertos, aparições moscas ameaçadoras, aranhas silenciosas, as formigas vermelhas militarizadas. Dá até para definir o filme como um Road Movie quando os diversos insetos irão entrar em batalha campal.
Não é um filme de ritmo intenso e alguns podem se cansar. Mas tem uma bela técnica, bastante encanto e uma moral adequada. Assisti com bastante prazer.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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