Punhos de Campeão: Filme Absoluto sobre o Submundo do Boxe

Clássico do Cinema de Boxe, foi a fita que deu consagração a Robert Wise, um dos maiores cineastas de todos os tempos

30/04/2015 11:15 Por Paulo Telles
Punhos de Campeão: Filme Absoluto sobre o Submundo do Boxe

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Clássico do Cinema de Boxe, Punhos de Campeão (The Set-Up, 1949), extraído de poema de Joseph Moncure March (1899-1977), foi a fita que deu consagração a Robert Wise (1914-2005), que se tornaria um dos maiores cineastas de todos os tempos, com currículo de obras como O Dia em que a Terra Parou (1952), Amor Sublime Amor (1960), e A Noviça Rebelde (1965). Também foi o filme que lançou Robert Ryan (1909-1973) como um astro potencial em Hollywood após alguns trabalhos anteriores, e, sobretudo, depois de sua importante e merecida (e também infelizmente única) indicação ao Oscar por Rancor/Crossfire (1947) para melhor ator coadjuvante de 1947 por sua atuação como o assassino anti-semita, mas acabou perdendo para Edmund Gwenn, que concorria para De Ilusão Também se vive naquele mesmo ano.  A ação transcorre em 72 minutos, tempo de duração do filme, processo que se repetiria também em Matar ou Morrer de 1952 e dirigido por Fred Zinnemann, onde a ação também transcorre na mesma duração da fita.

A trama versa sobre Bill Stocker Thompson (Robert Ryan), um pugilista veterano e decadente que não desiste dos ringues, a contragosto da mulher Julie (Audrey Totter, 1910-2013), que quer vê-lo abandonar o ringue, aceita participar de uma última luta, num estádio de categoria inferior.

Depois de várias derrotas consecutivas, sua esposa Julie apela para que ele desista do campeonato, mas ele não atende. Seus promotores foram corrompidos pela Máfia do Boxe, e Thompson ignora ser seu dever perder a luta para um lutador mais jovem , Tiger Nelson (Hal Baylor, 1918-1998), que é patrocinado pelos mafiosos.

Certo de que Stocker perderá a luta, seu empresário Tiny (George Tobias, 1901-1980) fecha um negócio com Danny (Edwin Max, 1909–1980), capanga de Little Boy (Alan Baxter, 1908-1976), um famoso gângster que investiu pesado no seu adversário. Em troca de uma boa soma em dinheiro, Tiny garante aos criminosos que Stocker abandonará a luta no 3º round. Sua certeza em relação às condições físicas de Stoker, faz com que ele nem toque no assunto junto ao boxeur. Até Gus (Wallace Ford, 1897-1966), o treinador de Stoker, se envolve no negócio sujo. Embora tenha uma cadeira reservada no Ginásio, após a saída de Stocker para a luta, Julie deixa o hotel para uma caminhada. Ela não quer ver mais o marido ser nocauteado e ficar inconsciente.

Seguido em sua determinação de vencer, Stocker sobe ao ringue. Ao subir ao ringue, ele vê a cadeira de Julie vazia. A luta começa. Nos primeiros rounds, ele mostra determinação e entusiasmo, sentindo que pode sair vencedor naquela noite. Seu agente preocupa-se com o que vê. Tiger Nelson reage e começa a bater forte em Stocker. No intervalo que antecede ao 4º round, Tiny lhe diz que o melhor é ele desistir, mas o indômito lutador não atende. Num certo ponto da luta, Stocker é derrubado, mas se levanta dentro do tempo. Embora exausto e bem machucado, parte com determinação para cima de Tiger Nelson e o nocauteia, sendo declarado o vencedor.

Na saída, Thompson é cercado pelos mafiosos, e tem suas mãos esmagada. Mesmo ferido e alquebrado, Thompson volta para casa, onde sua esposa o aguarda ansiosa, mas mal conseguindo ele caminhar em direção a porta, e cambaleante, cai em plena calçada. Da janela, Julie o vê, e sai em sua direção, acudindo-o.

No fim, Thompson diz a esposa: Eu venci, Julie...eu venci. E ela responde: Sim, querido, nós vencemos esta noite...nós vencemos. Um dos melhores filmes de Boxe da história do Cinema. Aqui, Bob Ryan usou, sem o recurso de dublê, sua experiência como boxeador, sem precisar de aulas de pugilismo e, de acordo com o diretor Robert Wise, foi um dos filmes que menos deu trabalho a ele, por não exigir aulas de pugilismo ao ator principal, pois este havia sido campeão de boxe amador.

A Crítica Eileen Bowser realçou notas do filme Punhos de Campeão (“The Set-Up’’). Estas notas estão hoje preservadas no Museu de Arte Moderna de Los Angeles:
O filme “The Set-Up” é poupado de qualquer lirismo, sobre o submundo e a humanidade tão baixa, revelada no soberbo desempenho de Robert Ryan. Tenho pouco a dizer. Thompson é tão ignorante e ignóbil quanto os outros boxeadores. Olhem seu rosto golpeado. É derrotado. Contudo, remanesce uma sensibilidade poética em seus olhos e em seu sorriso ocasional. Seus olhos estão sempre prestando atenção em volta do ringue, e o vemos constantemente fazendo isso enquanto espera o próximo assalto. Thompson tem bastante dignidade humana para recusar a corrupção, por isso ele sofreu uma brutal agressão, não mais importando com sua carreira medíocre no Boxe. Na extremidade, ele tem muito orgulho de si mesmo pela vitória ganha naquela luta, e não faz nenhuma avaliação da consequência dela.

Robert Ryan está maravilhoso no papel principal, e não se pode imaginar outro na pele de Stocker. De origem irlandesa, Ryan dividiu sua juventude entre suas duas paixões: o teatro e o boxe, e embora que ao longo de sua carreira nunca agisse como um astro no sentido literal da palavra, talvez em parte devido ao seu ativismo político (ele era democrata e membro ativo dos direitos civis americanos), que muitas vezes se contrastava com alguns papéis de vilões que o consagrou, Ryan ainda assim brilhou em Hollywood e nas telas de cinema, vindo a falecer em 1973.  Audrey Totter também apresenta uma ótima atuação. Algumas de suas cenas são inesquecíveis, como aquela em que, com receio de ver seu marido massacrado pelo adversário, vai até um viaduto onde, depois de muito pensar, rasga e joga fora o bilhete que lhe permitiria entrar no Ginásio.

Embora Punhos de Campeão tenha sido produzido com baixo orçamento, o trabalho de Wise o eleva à qualidade de um filme Classe A. A fotografia de Milton R. Krasner (1904-1988) é um outro ponto alto desse notável e surpreendente noir, com clima expressionista em tensão dramática exasperante. Esta brilhante obra está disponível em DVD no Brasil.

 

Por Paulo Telles

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Sobre o Colunista:

Paulo Telles

Paulo Telles

Paulo Telles é natural do Rio de Janeiro, onde nasceu em 1970. Mora na mesma cidade na região boêmia da Lapa. Curte cinema desde a adolescência, e através das matinês da TV, aprendeu a amar a Sétima Arte e os astros e estrelas do passado. Ele é o editor do blog FILMES ANTIGOS CLUB, acessível em: http://www.articlesfilmesantigosclub.blogspot.com.br/, espaço dedicado a matérias relacionadas ao cinema antigo, com biografias e resenhas de alguns filmes. Também é locutor da Escola de Rádio Web. Email: filmesantigosclub@hotmail.com ou paulotellescineradio@r7.com

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