RESENHA CRÍTICA: Punhos de Sangue (The Bleeder ou Chuck)
Registrem que se trata de um filme acima da média
Punhos de Sangue (The Bleeder ou Chuck)
EUA, 17. 1h38min Direção de Philippe Falardeau. Com Liev Schreiber, Naomi Watts, Elisabeth Moss, Ron Perlman, Michael Rapaport, Jim Gaffigan.
O que deveria estar sendo promovido neste filme não é nem sua história meio patética (um boxeador de Nova Jersey que seria considerado o verdadeiro Rocky Balboa mas que perde essa chance na vida) mas o fato de que o diretor dele ser hoje considerado um dos mais importantes cineastas do Canadá francês, Philippe Falardeau, que tem uma série de filmes premiados, entre eles o finalista do Oscar estrangeiro que é o O que Traz Boas Novas (Monsieur Lazhar, sobre emigrante argelino que tenta ser professor, 11) e o bem intencionado mas mal sucedido, Uma Boa Mentira (The Good Lie, 14, estrelado por Reese Witherspoon, como mulher que tenta ajudar emigrantes africanos). Outro filme de que não me lembro mas foi muito premiado foi Não Fui Eu , Eu Juro (08). Agora que ele retorna com um filme que poderia ser mais comercial (mas não foi bem nos EUA, não resultou em cerca de 150 mil dólares de renda). E olha que tem uma credencial importante porque o protagonista é Liev Schreiber, que tem estado especialmente bem na série policial Ray Donovan, desde 2013 e deve voltar agora em agosto. Violenta, já lhe rendeu 5 indicações ao Globo de Ouro e com ótimo elenco seria o auge do ator que no entanto separou-se da também competente e que está neste filme Naomi Watts. Isso num elenco especialmente bom. O titulo original era The Bleeder (o Sangrador mas foi mudado a pedido do biografado para não parecer filme de terror).
São essas coisas da vida, Liev é melhor ator que Stallone, mas ninguém vai roubar deste ícone do cinema seu lugar de honra (também o filme levou tempo demais para se concretizar, hoje é coisa velha imitar Rocky). De qualquer esse Wepner era vendedor de bebidas alcoólicas que, desculpe revelar o óbvio, conseguiu resistir 15 rounds com o maior campeão de boxe do mundo, o lendário Muhammad Ali, numa luta organizada por outra lenda Don King (que procurava um branco como adversário). É curioso também como os ferimentos e marcas do herói servem de honra (quebrou o nariz 8 vezes, 133 pontos, 14 derrotas e 3 nocautes). Apesar de tudo não desistia e sempre conseguia retornar. E parece verdade que Sylvester Stallone baseou o Rocky na vida dele.
A crítica americana destacou o fato de que o diretor não fez um filme de boxe e pancadaria mas seguiu a linha de Scorsese mostrando sua vida pesada cheia de altos e baixos. De tal forma, que Wepner acabou acreditando em sua própria lenda. E como todo filme do gênero, depois de um apogeu vem a decadência. De qualquer forma, registrem que se trata de um filme acima da média.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
relacionados
últimas matérias