O X da Questão

Malcolm X foi um dos mais importantes militantes americanos na luta contra o racismo nas décadas de 50 e 60

28/01/2017 20:10 Por Marcus Pacheco
O X da Questão

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X

Nascido na cidade de Omaha, em 1925, Malcolm Little teve uma infância trágica: Seu pai após ser ameaçado pela Ku Klux Klan teve de mudar-se para Lansing, Michigan. Mantendo seu discurso, foi assassinado barbaramente por um grupo de racistas e viu sua casa ser incendiada. Oficialmente, porém, foi registrado como suicídio, o que impediu sua família de receber as indenizações devidas. A família desintegrou-se a partir daí. 

Na adolescência, passou por várias casas de custódia e foi parar na cadeia. Em 1946, enquanto cumpria pena por roubo, converteu-se ao islamismo e aderiu à Nação do Islã, que defendia o conceito de superioridade negra. Influenciado pelo discurso de Elijah Muhammad que pregava que os brancos são demônios com os quais os negros não podem conviver e que só os negros Seguindo um dos preceitos da entidade, que negava os sobrenomes adotados pela população negra americana e os denunciava como resquícios da escravidão, o militante assumiu o nome de Malcolm X. 

Com isto começou seu ativismo político, praticando rigorosos padrões religiosos em uma série de viagens pelos Estados Unidos, fundando mesquitas e fazendo palestras. Sua estratégia radical se opunha ao movimento pelos direitos civis dos negros, liderado por militantes moderados, como o pastor batista Martin Luther King.

Enquanto Martin apostava em uma resistência pacífica como arma para enfrentar o racismo, Malcolm X defendia a separação das raças, a independência econômica e a criação de um Estado autônomo para os negros. Ao lado de Elijah Muhammed, viaja pelos principais estados norte-americanos para pregar as suas ideias e defender a libertação dos negros.

Morte

No dia 21 de fevereiro de 1965, quando discursava no Harlem, Malcolm X foi assassinado com 13 tiros, ao lado de sua mulher Betty, que estava grávida, e de suas quatro filhas. A Polícia dos Estados Unidos arquivou o processo por "falta de provas", mas o interessante é que os assassinos foram presos em flagrante!

As ideias de Malcolm X foram muito divulgadas principalmente nos anos 70, por movimentos como "Black Power" e "Panteras Negras".

O Filme

Malcolm X, uma superprodução se compararmos com os filmes anteriores de Spike Lee, mostra a maturidade e o respeito conquistados por esse diretor. Cenas memoráveis, reconstituição de época perfeita e atuações admiráveis se juntam ao senso de humor de Lee para brindar o mundo com o saber. Spike Lee mostra o homem pautado pela tragédia e seus feitos heroicos. 

 Como toda boa cinebiografia, o filme tem uma bela fotografia e uma ótima direção de arte, além do figurino, que foi indicada ao Oscar, como aqueles ternos coloridos e extravagantes e chapéus de aba larga com a pena ao lado, um sinônimo de status no gueto onde Malcolm X morava.

Malcolm X é além de uma cinebiografia, é um filme sobre identidade, ideais, força, crenças e fé, e que tudo isso está perante mudanças, porque os tempos mudam e os homens também mudam, se for para melhor, ou para pior, depende de cada um de nós, que tem o poder, sim, de fazer a diferença.

O filme discute a questão do racismo. Presente nos dois lados, o ódio racial, consequente de um grande processo de opressão e divisão cultural, tem como resultado a violência e morte. Por ser complexa, essa atitude de ódio mútuo só se transforma com a evolução das questões culturais e pelo processo de convivência, representado pela ida de Malcolm à Meca.

Os jovens, representados neste filme tanto por Malcolm no início de sua luta quanto por muitos de seus seguidores, são mostrados aqui com a força de sua radicalidade – superadas depois com o seu amadurecimento e o aumento de sua tolerância. Esta radicalidade, mais que fruto das ideias de Elijah Muhammad, é também fruto de sua juventude, de sua rebeldia contra o mundo. Lutar a favor dos direitos dos negros é garantir, para estas moças e rapazes, o seu lugar no mundo, conquistar seu espaço na sociedade, um futuro diferente daquela realidade de dominação e intolerância vivida por eles.

Por fim, Spike Lee nos trás uma mensagem redentora. A morte de Malcolm X pela causa negra o torna um mártir, símbolo dos direitos civis e da emancipação cultural e social. Seu legado de luta está presente até hoje em todo aquele que conhece e segue a história do movimento negro. Mais do que isso, ele está nas escolas, ensinando à juventude que todos temos direitos como cidadãos.

"O homem branco é o maior assassino da Terra. É o maior sequestrador da Terra. Eu culpo o homem branco. Nós somos a prova viva do que estou dizendo".

 

Informações da edição em DVD

Malcolm X (Idem)

EUA, 1992. 202min. Direção: Spike Lee. Elenco: Denzel Washington, Angela Bassett, Albert Hall, Al Freeman Jr., Delroy Lindo, Spike Lee.

 Sinopse: Biografia do famoso líder afro-americano (Denzel Washington) que teve o pai, um pastor, assassinado pela Klu Klux Klan e sua mãe internada por insanidade. Ele foi um malandro de rua e enquanto esteve preso descobriu o islamismo. Malcolm faz sua conversão religiosa como um discípulo messiânico de Elijah Mohammed (Al Freeman Jr.). Ele se torna um fervoroso orador do movimento e se casa com Betty Shabazz (Angela Bassett). Malcolm X ora uma doutrina de ódio contra o homem branco até que, anos mais tarde, quando fez uma peregrinação à Meca abranda suas convicções. Foi nesta época que se converteu ao original islamismo e se tornou um "Sunni Muslim", mudando o nome para El-Hajj Malik Al-Shabazz, mas o esforço de quebrar o rígido dogma da Nação Islã teve trágicos resultados.

Extras: Documentário “Malcolm X” (1972, 92 min.), com narração de James Earl Jones; O making of de Malcolm X (30 min.), Cenas excluídas (22 min.)

Distribuidora: Versátil

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Sobre o Colunista:

Marcus Pacheco

Marcus Pacheco

Marcus V. Pacheco é jornalista, formado na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Cinéfilo, Editor de site, Colecionador e Escritor. Marcus já realizou vários curtas metragens e um longa chamado "O último homem da terra (2001)", baseado no conto de Richard Matheson. Escreveu também 30 e-books sendo 29 sobre cinema e um de ficção que está em fase inicial para publicação. Criador e editor do site "Tudo sobre seu filme (http://www.tudosobreseufilme.com.br/)" onde publica críticas, listas, aulas de cinema e curiosidades do mundo da 7ª arte há 4 anos, além de realizar entrevistas com atores, diretores, críticos e colecionadores do mundo todo.

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