RESENHA CRÍTICA: Uma Questão Pessoal (Una Questione Privata/ Rainbow a Private Affair)

Uma história muito romântica, com imagens muito bonitas, excepcional fotografia. Mas que resulta assim a primeira vista em algo muito, muito triste... E também muito cinematográfico!

20/09/2018 01:35 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Uma Questão Pessoal (Una Questione Privata/ Rainbow a Private Affair)

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Uma Questão Pessoal (Una Questione Privata/ Rainbow a Private Affair)

Itália, 18. 1h25min. Direção de Paulo e Vittorio Taviani. Com Luca Marinelli, Valentine Belle,Lorenzo Richelny,, Antonella Attili, Francesa Agostini, Jacopo Antinori, Mario Bois. Indicada a prêmios em David de Donatello e Haifa, prêmio especial em Sindicato dos Jornalistas.

Ultimo filme dos brilhantes, geniais e discretos Irmãos Taviani, cuja inesquecível dupla teve grandes trabalhos premiados em Cannes e exibidos quase todos no Brasil. Eles trabalham sempre juntos, reza a lenda e eles assim confessavam cada um deles assumindo um plano/cena e depois repassando a lente/câmera para o outro concluir como desejasse. Eles são Paolo Taviani (1931-) e Vittorio Taviani, falecido em Roma, nascido na Toscana (20 de setembro de 1929-15 de abril de 2018). Eles têm ainda outro irmão diretor de cinema que trabalha sozinho que é o caso de Franco Brogi Taviani (1941-), menos conhecido e talentoso, mas que realizou 11 filmes como Masoch, todos eles desconhecidos no Brasil e com muito erotismo.

O interesse e polêmico é justamente o fato de que este é o primeiro filme sem a dupla, já que Paolo o mais novo realizou o filme sozinho. Mas os irmãos eram incríveis com filmes como Cesar Deve Morrer (vencedor em Berlim, 12 assim como os dois seguintes), Pai Patrão (77), San Michele Aveva um Gallo (inédito aqui, 72). Em Cannes ganharam mais: A Noite de São Lourenço (La Notte de San Lorenzo, 82), Palma de Ouro assim como Pai, Patrão, 77. No Festival de Veneza também foi premiado com Um Uomo da Bruciare, 62. Este seu filme de despedida é sobre Milton (Luca Marinelli) é um jovem membro da Resistência Italiana que decide cruzar a região de Langhe, durante a Segunda Guerra Mundial, para investigar o paradeiro de uma antiga namorada, Fulvia (Valentina Bellè). Ao descobrir que ela possivelmente se envolveu com seu melhor amigo, Giorgio (Lorenzo Richelmy), Milton se vê envolvido com marcas do passado e tenta reencontrá-lo a fim de resolver suas questões. E qual é a questão? É que se cria uma dúvida, será que eles são melhores sozinhos do que em dupla? Não se trata de uma escolha cruel e perigosa?E m tais condições como pode ser um melhor do que o outro, poderia apenas um deles ter ficado sozinho e por isso mais fraco, menos brilhante... Francamente é uma decisão que eu ainda não quero tomar. Irei ver o filme mais que outra vez para chegar a uma posição e ainda assim com dúvida e pesar. Mesmo porque acho a informação central discutível. O filme foi feito com a dupla e Vittorio não foi capaz de estar no set de filmagem e por essa razão Paolo foi creditado como o único diretor nos créditos finais (o que já me parece cruel e injusto!). No crédito de abertura os dois estão lá. Vittorio também não pode comparecer a estreia e tampouco a entrevista do festival de Roma de 2017. Ele faleceu cinco meses depois. Era só o que faltava, os irmãos brigarem e terminarem desse jeito... Justamente numa história muito romântica, com imagens muito bonitas, excepcional fotografia. Mas que resulta assim a primeira vista em algo muito, muito triste... E também muito cinematográfico!

Vamos lá: passado meu entusiasmo pelos irmãos, começou a cair minha ilusão. Tudo me pareceu horrivelmente errado. Justamente numa historia de guerra  muito romântica ( e chegam ao exagero duvidoso de se colocar num toca disco a Judy Garland de Mágico de Oz!). Disse que as imagens eram muito bonitas (realmente, estava com os óculos escuros, deve ter sido isso o choque, porque a fotografia é  excepcional mas no pior sentido, aquelas nuvens são falsas não ajudam as cenas mal encenada.  Mas que resulta assim a primeira vista em algo muito triste.. Porque é tudo muito amador,começando pelo elenco de incompetentes que tem sempre a mesma expressão (é um triangulo amoroso dois rapazes e uma moça, todos eles amadores da pior espécie). Imagino que tenha sido o diretor vivo que foi o responsável por uma historia mal contada, arrastada, mal solucionada e por vezes constrangedora.Sim, e ainda por cima é de um total falta de cortesia assinar sozinho o filme sem ser assinado em família. O grave mesmo é que agora que só tem um deles vivo, fico muito claro que este tal, o Paolo é incompetente. O mais velho é que era talentoso e dava o toque dramático e romântico. O que vemos agora é apenas constrangedor.

 

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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