RESENHA CRÍTICA: Despedida em Grande Estilo (Going in Style)

O filme é isso, bem feitinho, movimentado, agradável de ver

06/04/2017 00:02 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Despedida em Grande Estilo (Going in Style)

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Despedida em Grande Estilo (Going in Style)

EUA, 2017. 1h36. Direção de Zach Braff. Com Michael Caine, Alan Arkin, Morgan Freeman, Ann Margret, Joey King, Matt Dillon, Christopher Lloyd, John Ortiz.

Há quase 30 anos atrás houve uma fase difícil para o cinema, quando muitos lançamentos americanos mal chegavam ao Brasil, os antigos donos de cinema estavam sendo despejados e substituídos por outros estrangeiros (que ao menos reformavam as salas de espetáculos). E as locadoras eram um enorme sucesso mesmo que ainda nas mãos da pirataria.

Foi nesses bons/maus tempos que houve outro filme com esse mesmo nome, Going in Style, de 1979, e que at[a onde eu sei nunca foi exibido no Brasil comercialmente nem na televisão (aparece no IMDB com o mesmo nome mas pode ter sido no inverso, depois que a versão atual tenham aproveitado o título). Por que penso assim? Por que na época gostei muito da versão original e soubemos que o filme nunca seria lançado em nossas salas até porque o elenco era de velhos (e havia o maior preconceito contra isso, hoje em dia filmes com velhos atraem aqueles que estão na terceira idade). Então gente como Jane Fonda, Shirley MacLaine e assim por diante, inclusive o elenco desta refilmagem de hoje são ainda astros. E graças a Deus bastante queridos e considerados atrações. Na época poucos sabiam que eram os atores, no caso George Burns (1896-1996, vencedor do Oscar por Uma Dupla Desajustada, 75, fez muito sucesso na TV com sua parceira Gracie Allen. Morreu com mais de 100 anos). Ao lado de Art Carney, 18-2003, outro vencedor do Oscar por Harry o Amigo de Tonto, 75, vindo da televisão onde fazia a serie inédita aqui The Honeymooners e ainda Lee Strasberg, 01-82, famoso professor e diretor que popularizou o Actor´Studio. O diretor roteirista era outro, então desconhecido chamado Martin Brest, depois conhecido por Perfume de Mulher e Um Tira da Pesada.

O fato é que o filme foi original e atrevido dando origem a outras imitações, por sinal várias com gente veterana e, portanto, a atual nada mais é que uma coisa já vista. Por isso um desafio. Ainda que com um elenco mais nobre, pois os três atores centrais são velhos amigos e vencedores de Oscars, Arkin (Pequena Miss Sunshine, 06), Caine (2, Hannah e Suas Irmãs e Regras da Vida, 99), Morgan Freeman (Menina de Ouro, 05). Além disso o diretor aqui é o comediante Zach Braff (Scrubs da TV, o talentoso de Hora de Voltar), e roteiro de Theodore Melfi, que se deu tão bem fazendo há pouco como diretor de Estrelas Além do Tempo.

Sintético e curto (90 e poucos minutos), em tom de comédia satírica, embora não traga muita coisa de novo, mas é uma boa diversão (engraçado como se percebe como público da pré estreia estava disposto a gostar, desde o primeiro momento já ria ate antes da piada). Não chega a pegar muito pesado na denúncia dos abusos dos bancos e falta de respeito a aqueles que vivem de aposentadoria (muito atual por aqui, mas nos EUA a situação tende inclusive a piorar). São três veteranos que são muito amigos e vivem com a maior dificuldade. Caine vai ao banco e presencia um assalto (talvez o único ponto discutível é o gerente do banco, que é interpretado com exagero e caricatura, a mim ao menos incomodou). Sem outra saída aparente para sustentar a filha e a neta, recorre a dois amigos, Arkin que é musico e divide uma casa com Freeman e é quem tem piores problemas de saúde porque tem que trocar rim (enquanto isso embora com relutância começa a namorar uma senhora bonitona feita pelo antigo sex symbol Ann Margret).

E o filme é isso, bem feitinho, movimentado, agradável de ver.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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