RESENHA CRÍTICA: Um Doce Refúgio (Comme une Avion)
Aqueles acostumados ao atual estilo de grosseria das comédias americanas não devem nem passar perto de um filme elegante
Um Doce Refúgio (Comme une Avion)
França,15. 115 min. Direção de Bruno Podalydès. Com Sandrine Kiberlain, Agnés Jaoui, Bruno Podadydes, Vimala Pons, Denis Poladyles, Pierre Arditi, Noeme Lovlsky, Michel Louisvermoz.
Para mim foi uma encantadora revelação esta comédia tipicamente francesa (com sua paixão pelo Campo, pela Campagne, seu estilo narrativo tranquilo a la Jacques Tati, um humor discreto e mesmo assim envolvente, suas piadas inesperadas, sua trilha rica em citações) e também a confirmação talento do ator e diretor Poladylès que aos poucos vai conquistando o espectador. Indicado ao premio Louis Delluc de melhor filme do ano e o Cesar de coadjuvante para a excelente Agnés Jaoui (famosa atriz, diretora, roteirista, que aqui não tem problema em expor inteiramente nua numa pose estátua de Venus, dona de uma contagiante simpatia).
Voltando ao diretor, ele dirigiu poucos filmes (episodio de Paris Je T´aime, o divertido Adeus Berthe, O Enterro da Vovó, 12, que foram exibidos por aqui) mas é frequente ator (entre outros, esteve no Festival Variloux 2016 também em Chocolat e La Belle Saison). Trabalha com frequência com o irmão ator que faz aqui o papel de seu chefe.
Aqueles acostumados ao atual estilo de grosseria das comédias americanas não devem nem passar perto de um filme elegante e charmoso sobre um homem que trabalha (aliás, difícil entende o que ele faz, porque a maior parte do tempo esta enganando o patrão e a esposa, a indiscutível Sandrine). Um dia vai entender porque ele resolve comprar um caiaque para navegar nos rios perto de casa. Adquire logo todo o material e sai numa expedição que o leva a ter várias sonecas, uma briga com um pescador (aparição deliciosa do veterano ator Pierre Arditi), uma estadia numa pensão/restaurante (onde fará muitos amigos, inclusive com uma jovem chamada Mila, vivida por uma jovem atriz indiana Pons!). Com alguns momentos de sexo, outros de desastrosa incompetência, é um filme muito especial, que devia ser proibido para menores de idade, que são incapazes de curtir um filme tão engraçado e especial (que só falha um pouco ao final, ao deixar de encontrar uma solução mais divertida). Mas desde já coloca o diretor na lista dos meus cineastas promissores!
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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