RESENHA CRÍTICA: Exodus - De Onde Eu Vim Não Existe Mais
É um bom trabalho este novo filme de Hank Levine, muito bem realizado e sempre oportuno
Exodus - De Onde Eu Vim Não Existe Mais
Brasil, Alemanha, 2016. 105 min. Roteiro e direção de Hank Levine (produtor de Lixo Extraordinário e Praia do Futuro, entre outros). Produção de Fernando Sapelli e Fernando Meirelles. Com narração de Wagner Moura.
É um bom trabalho este novo filme de Levine, muito bem realizado e sempre oportuno. Pinta um retrato de dois anos das trágicas histórias de refugiados de diferentes partes do mundo que tiveram de deixar suas casas por diferentes motivos. São pessoas pobres e comuns, quase sempre mulheres sem destino, lamentando a família e os lares que perderam. Gente que se chama Napuli, Tarcha, Bruno, Dana, Nizar e Lahtow. O autor passa pela Alemanha, Sudão do Sul, Argélia, Congo, Mianmar, Cuba, Brasil e Alemanha.
"A pesquisa para o documentário Exodus”, conta Levine, “foi iniciada em 2008, quando fiz uma viagem ao continente africano, visitando o Senegal para fazer um registro sobre os senegaleses e outros africanos que estavam embarcando em barcos clandestinos. Com ajuda dos companheiros da produtora O2 e foi daí que nasceu o um documentário que abraça a dimensão global desse assunto”.
Sou especial apreciador deste filme porque fizemos pelo produtor Germano Pereira e eu, um documentário sobre o árabes que tiveram que fugir da destruição e perseguição do ISIS e outros lugares do mundo Árabe. Chamou-se Somos Todos Estrangeiros e tem pontos em comuns com esta obra. Passou ano passado na Mostra Internacional de São Paulo.
Levine nasceu na Alemanha e se mudou para o Brasil em 2000, onde trabalha como produtor e diretor. Coproduziu o filme Cidade de Deus (2002) e produziu Rosa Morena (2010), vencedor do prêmio de Melhor Longa de Ficção - Itamaraty da 34ª Mostra, e Praia do Futuro (2014). Também é produtor e codiretor do documentário Ginga (2006, 29ª Mostra).
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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