RESENHA CRÍTICA: O Estrangeiro (The Foreigner/The Chinaman)
Jackie Chan está ágil nas cenas de luta, mantendo o humor, enquanto Pierce Brosnan mantém a elegância neste filme pouco inspirador
O Estrangeiro (The Foreigner/The Chinaman)
Austrália, Inglaterra, China, 2017. 116 min. Direção de Martin Campbell. Com Jackie Chan, Pierce Brosnan, Rufus Jones, Katie Leung, Mark Tandy, John Cronin, Charlie Murphy.
Segundo o IMDB, Jackie Chan (nascido em 1954) está longe da aposentadoria com ao menos 8 projetos em andamento. No entanto, este aqui é a tentativa dele em fazer um filme sério, pesado, onde ele deixa de fazer truques e saltos perigosos (ou a menos os reduz) para se envolver num personagem dramático e trágico, passado em Londres, baseado em atentados terroristas locais e apresentando Chan como Quan, uma figura amarga, vingativa e nada habitual.
Mas que teve um orçamento bom 35 milhões de dólares (com roteiro de David Marconi, que escreveu Duro de Matar 4, Inimigo do Estado por sua vez inspirado num livro de Stephen Leather, The Chinaman (outras obras desse autor não chegaram a ser adaptadas para cinema). Há outro interesse porque este é o primeiro trabalho de Martin Campbell, em seis anos (fez antes o fracasso O Lanterna Verde com Ryan Reynolds, O Fim da Escuridão, com Mel Gibson). Mas seu sucesso maior foi ao lado de Pierce Brosnan, depois de trabalhar com ele em 007 contra Goldeneye. Mas o resultado já se mostrou pouco inspirador quando a produtora Australiana Roadshow Films não gostou do filme e reduziu seu lançamento. Curiosamente a explosão do ônibus em Londres na Lambeth Bridge provocou alarme. Para deixar claro a posição do herói chinês, Quan so mata membros terroristas irlandeses do IRA que mataram sua filha e também não mata a única mulher do grupo, Maggie.
Chan aparece o filme todo soturno e envelhecido, piorando mais ainda o atentado terrorista mata a filha e também o deixa ferido. Procura então o chefe político Irlandês (Brosnan) que tenta impedir os diversos ataques. O que eles não sabem é que Quan/Chan foi na verdade um assassino agora aposentado e que irá reativar suas habilidades para a vingança. Ou seja, é um personagem diferente para ele.
O que pode explicar porque mesmo na sua terra natal, o filme rendeu metade do que costumeiramente sucede com as comédias de kung fu! De qualquer forma, Chan fica mais ágil nas cenas de luta, mantendo o humor, enquanto Brosnan mantém a elegância quando vai se revelando que ele tem o rabo preso em poder corrupto, amantes corruptos e negócios proibidos com as autoridades britânicas. Teve gente mesmo que achou que Brosnan chega a roubar o filme de Chan.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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