OSCAR 2014: A Caça (The Hunt/Jagten)
O filme foi indicado e finalista ao Oscar de filme estrangeiro só agora em 2014, um ano depois de ter sido exibido aqui.
A Caça (The Hunt/Jagten)![]()
Dinamarca, 12. Direção de Thomas Vinterberg. 115 min. Com Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Annika Wedderkopp, Lasse Fogelstrom, Susse Wold, Anne Louise Hassing.
Revelado em 1998, durante o lançamento do Dogma dinamarquês, Thomas Vinterberg ficou famoso por causa de Festa em Família, possivelmente o melhor filme dele e de todo o movimento. Era tão interessante que garantiu a exibição por aqui de praticamente todos os filmes seguintes por mais irregulares que fossem: Dogma do Amor (It's All About Love, 03, com Joaquin Phoenix, Claire Danes), Querida Wendy (Dear Wendy, 05, com Jamie Bell, Bill Pullman), Quando um Homem Vem para Casa (En Mand kommer Hjem/A Man Comes Home, 07) e Submarino (Idem, 10).
Enfim valeu a espera porque Thomas acerta agora quando se reúne justamente com o astro mais famoso de sua terra, mas que não chegou a virar astro quando fez um vilão de 007 em Cassino Royale, Le Chiffre. Mas ao menos o sucesso lhe ajudou a conseguir bons papéis em filmes como O Amante da Rainha, o Hannibal Lecter na série de TV Hannibal, Rochefort em Os Três Mosqueteiros, Draco em Fúria de Titãs, Stravinsky em Coco Chanel e Igor Stravinsky e hoje é um dos mais famosos e respeitados atores europeus no momento.
Ele comprova isto neste modesto mas bem calibrado thriller policial que deu a Madds prêmio de melhor ator em Cannes (além do prêmio ecumênico), de melhor roteiro no European Film Award, melhor filme independente no Britisth Film Award, prêmio do publico em Vancouver. O tema embora inspirado em fatos reais não chega a ser novo e houve outros bons filmes sobre o assunto. O professor do jardim da infância, Lucas (Mikkelsen) é um bom sujeito nada violento e que parece só ter um defeito, adora caçar cervos na floresta. Seu filho adolescente Marcus gostaria de viver com o pai, mas a mãe está criando problemas. Que se complicam quando uma de suas alunas bem pequenas Klara que tem uma paixonite por ele, talvez inspirada por coisas que viu na Internet, faz com que a chefe do lugar desconfie que Lucas se expos diante dela. Naturalmente todo mundo vai achar que ela é inocente e uma vítima, provocando um grande escândalo na pequena comunidade, os outrora amigos se importado pouco em destruírem a vida de Lucas e por extensão, de sua família. Toda a historia é contada pelo ponto de vista de Lucas que fica chocado quando ate o melhor amigo não acredita nele (é o pai da menina Klara).
O fato de que ele não acabe parecendo telefilme (porque já alguns deles parecidos) e que Mads consiga convencer em outra coisa se não vilão, é quase um milagre. A ação se situa em volta de Natal, na paisagem gelada, o que também ajuda. Assim como o final que parece inesperado e ajuda a dar respeito ao bom filme, que foi indicado e finalista ao Oscar de filme estrangeiro só agora em 2014, um ano depois de ter sido exibido aqui.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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