Crônica de Florianópolis

Caminhando pela areia da orla, saem de algum lugar sons que reproduzem canções no idioma hispânico

17/01/2018 08:01 Por Eron Duarte Fagundes
Crônica de Florianópolis

Silviano Santiago

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Antes do escrito: A crônica abaixo foi escrita no verão de 2016, após uma de nossas muitas idas, em férias, a Florianópolis, talvez a mais bela entre as capitais do sul do país.

 

Canasvieiras é provavelmente a mais buscada praia de Florianópolis, a bela ilha que é a capital catarinense. No verão parece converter-se numa colônia argentina. A língua corrente por ali é o espanhol, quero dizer, o espanhol falado na Argentina. Caminhando pela areia da orla, saem de algum lugar sons que reproduzem canções no idioma hispânico. Volvendo os olhos para a direção do mar, damos com a turma argentina, especialmente mulheres jovens, dançando dentro d’água. É de arrepiar a certa altura atentar para tudo isto, sentir nestes sons e imagens as cores do verão num país tropical como este em que vivemos.

Instalamo-nos em Canasvieiras desta vez. No centro do coração portenho à brasileira. Na avenida das Nações. A poucas quadras do mar. De Canasvieiras montamos nosso holofote para desfrutar o verão catarinense de 2017. Além de argentinos, o elemento africano, senegaleses penso.

Cachoeira do Bom Jesus e Praia Brava são próximas de Canasvieiras: passamos por ali. Jurerê, o balneário da alta burguesia sul-americana, também esteve no roteiro: uma Feira das Nações dentro dela. Um dia de chuva para, na praia do Forte, subir até a Fortaleza de São José da Ponta Grossa e dar com sua história e seus recantos sombrios. Voltando do Forte de São José, a chuva esvaindo-se, topamos com uma fruta rara no sul do país: a fruta-pão. É um objeto cuja existência em palavras me é familiar, de tanto ler o nome composto em autores de outras plagas, mas ignoro tudo sobre o objeto. A caminho do centro de Florianópolis, um desvio para o lugarejo de Santo Antônio de Lisboa, formado em tempos de antanho por casais açorianos, como ocorreu com Porto Alegre, capital gaúcha. Em Santo Antônio de Lisboa, uma igreja colonial, neoclássica, Igreja da Nossa Senhora das Necessidades, e uma pequena feira livre. E praias mais para o sul da ilha, longínquas e muito frequentadas pela juventude: a praia Mole e a Joaquina. E uma delícia de lugar, para observar pessoas a andar, andar: a Lagoa da Conceição, que pode ter um pouco da Lagoa Rodrigo de Freitas, na cidade do Rio de Janeiro.

Enquanto passam pelos meus olhos o francês horizontal de Patrick Chamoiseau em Texaco (1992) e o português vertical de Silviano Santiago em Machado (2016).

Mais adiante, sairei em busca do porto seguro.

 

(Eron Duarte Fagundes – eron@dvdmagazine.com.br)

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Sobre o Colunista:

Eron Duarte Fagundes

Eron Duarte Fagundes

Eron Duarte Fagundes é natural de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, onde nasceu em 1955; mora em Porto Alegre; curte muito cinema e literatura, entre outras artes; escreveu o livro “Uma vida nos cinemas”, publicado pela editora Movimento em 1999, e desde a década de 80 tem seus textos publicados em diversos jornais e outras publicações de cinema em Porto Alegre. E-mail: eron@dvdmagazine.com.br

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