RESENHA CRÍTICA: O Sacrifício do Cervo Sagrado (The Killing of a Sacred Deer)

O filme não tem o poder trágico que pretende, nem a força dramática que justiçaria a poesia do título

08/02/2018 06:44 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: O Sacrifício do Cervo Sagrado (The Killing of a Sacred Deer)

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O Sacrifício do Cervo Sagrado (The Killing of a Sacred Deer)

EUA, 17. Direção de Yorgos Lanthimos.121 min. Roteiro de Yorgos e Efthymis Fillipou. Com Nicole Kidman, Colin Farrell, Alicia Silverstone, Bill Camp, Raffey Cassidy, Barry Keoghan.

Foram necessários 16 produtores para realizar este mais recente filme do diretor grego mais promovido do momento, principalmente em Festivais. Mas este Yorgos (1973-), foi indicado ao Oscar ano passado por Lobster (O Lagosta, também com Farrell) que é uma alegoria esquisita e bizarra, mas também curiosa e atrevida sobre trocas de valores mas indicado apenas ao público de arte mais exigente. Antes disso tinha provocado mais polêmica ainda com outro mais anterior chamado Dente Canino (09), sobre três adolescentes que vivem isolados, sem sair de sua casa, porque os pais são muito controladores. Talvez porque o cinema grego esteja precisando de herdeiros, teve certa repercussão, mas é difícil de engolir. Não me lembro de ter passado aqui comercialmente o seguinte que se chama Alpes (11) sobre pessoas que abrem negócio para passarem por especialistas em cuidar de pessoas que passaram por recentes processos de dor!

De qualquer forma, este filme ganhou no último Festival de Cannes (que parece ter sido dos piores de todos os tempos) o prêmio de melhor roteiro, empatado com Lynne Ramsay. Tentou outros festivais, mas só teve outro prêmio em Sitges (que é de terror). Não se pode esquecer que Nicole Kidman resolveu resgatar a carreira que passava por momento ruim (lembram do Botox que quase a destruiu?) optando por trabalhar com cineastas de prestigio. Como ele. O problema é que apesar de como sempre ter tido alguns elogios de certa imprensa que acredita em tudo, não concorre ao Oscar como pensava.

Na verdade, o filme deixa de ser esquisito e vira apenas um drama desagradável e confuso (como todos). A figura central na verdade é um rapaz de 16 anos, um jovem britânico que esteve em Dunkirk, mas tem uma figura anticonvencional. O pai dele more numa operação num hospital e cria-se um laço ente ele e o cirurgião que cuidou dele Dr. Steven Murphy (Farrell, ninguém menos adequado para o personagem!).  Eventualmente o rapaz é convidado para jantar e conhecer a filha adolescente do doutor, que vê aquilo como uma família perfeita. Mas fica evidente para o espectador que há algo de errado nesse garoto. Dito e feio, a família entra em crise, diante de um fato trágico e que provoca sacrifícios.

Não dá para entrar em detalhes. O fato é que a situação não tem o poder trágico que pretende, nem a força dramática que justiçaria a poesia do título. Alguns críticos europeus mais astutos e informados chegam a fazer uma comparação com a tragédia grega de Ifigênia, e Agamenon (criada por Eurípides e depois o Frances Racine). No mito, o cervo sagrado, é morto por Agamenon, e isso ofende a deusa Artemis que exige em troca o sacrifício da filha do rei, Efigênia! Não deixam de seguir a ideia, não conseguiram reproduzir a intensidade necessária nem tem o humor do filme anterior. Poderia aproveitar melhor os rápidos lances de possível comédia, mas como disse certo critico europeu, o filme escorrega mais para terror do que cinema de arte. Muita coisa deixa de ser explicada. E Nicole? Ah, bom, ela bem podia passar sem ter feito mais este filme...

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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