RESENHA CRÍTICA: A Cidade do Futuro

Difícil não se envolver com a história e sinceridade da intriga

25/04/2018 17:37 • Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CR�TICA: A Cidade do Futuro

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A Cidade do Futuro

Brasil, 2016. 1h16min.  Direção e Produção: Cláudio Marques e Marília Hughes. Roteiro: Cláudio Marques. Fotografia: Gabriel Martins. Com Gilmar Araujo, Igor Santos, Milla Suzart.

Fico contente que a ação de uma assessora de imprensa que me mandou o Vimeo e me chamou a atenção para um filme que podia passar em branco. Seria um erro e uma pena, já que este A Cidade do Futuro chega com um certo atraso porque teve uma carreira internacional muito bem sucedida. E não é difícil entender porque. Este segundo longa da dupla de diretores baianos (fizeram antes Depois da Chuva, 1013, que não assisti) é um curto mas um  sensível trabalho, que conta uma história muito brasileira. É uma boa ideia começar com imagens de arquivo revelando o fato histórico de populações inteiras foram retiradas de sua terra a força nas margens do rio São Francisco porque onde moravam iria se tornar apenas mais um lugar abandonado e sem futuro. O resumo oficial do filme é muito curto, talvez porque todo o filme é sobre gente que fala pouco, mas sabe o que quer.  Dizem eles: em uma região marcado pelo machismo e a homofobia, Milla, Gilmar e Igor formarão uma família fora dos padrões. E basicamente é isso que acontece (embora o pôster do filme de certa forma já revela a conclusão, o que não é uma boa ideia. Ninguém gosta de não saber a conclusão antes de entrar no cinema).

Enfim, nada disso atrapalha a narrativa singela e tocante, sobre dois rapazes que se gostam e se namoram discretamente. Isso provoca a reação dos locais (embora o filme não toque mais profundamente sobre os fanáticos religiosos que hoje em dia são cada vez mais agressivos e frequentes). Há também uma moça que não tem problemas em ter relação ainda que passageira com outra garota, mas ela tem um caso com um dos rapazes que a engravida. Forma-se então um triângulo. Discreto (uma única cena de nudez masculina) talvez por isso mesmo que o filme funciona tão bem, difícil não se envolver com a história e sinceridade da intriga. O que também explica a quantidade de prêmios que incluem Melhor filme Latino-Americano no BAFICI, Buenos Aires, Melhor filme internacional no Newfest New York LGBT Film Festival's, Melhor filme Prêmio do Público no Olhar de Cinema Curitiba International Film Festival, Melhor filme brasileiro e melhor direção no 10º For Rainbow - Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual. Mas na verdade merecia, graças a sua sensibilidade, ainda mais.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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