COADJUVANDO: Samantha Morton

Quem disse que é preciso abrir a boca e ter muitas falas para ser indicada para um Oscar?

23/07/2014 10:03 Da Redação
COADJUVANDO: Samantha Morton

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Samantha Morton (1977-)

 

Quem disse que é preciso abrir a boca e ter muitas falas para ser indicada para um Oscar®? Interpretando uma muda, a inglesinha Samantha Morton foi o nome surpresa, um autêntico azarão. Sua interpretação foi elogiada mas nada que justificasse essa indicação de uma quase desconhecida. A Academia parece mesmo gostar de mesmo de ingleses. Pena que essa sorte inicial não tenha prosseguido e Samantha tenha perdido outros bons papeis.

Woody Allen até hoje continua a esnobar a Academia e o Oscar®. Mas eles sempre insistiram e continuaram indicando para prêmios seus atores. Vários já ganharam como coadjuvantes (Michael Caine e Dianne Wiest por Hannah e suas Irmãs, esta novamente depois por Tiros na Broadway). Em 2000, a escolhida foi uma inglesinha pouquíssimo conhecida e muito jovem (Samantha Morton nasceu em 1977) e que eu tinha a mania e defeito de grafar com N e não o correto M. Samantha faz  o papel de uma muda que é apaixonado pelo Sean Penn em Poucas e Boas (Sweet and Lowdown), um dos menos lembrados trabalhos de por Allen e outro notável fracasso de bilheteria nos Estados Unidos. E que  continua praticamente desconhecido no Brasil. Samantha perdeu como coadjuvante para Angelina Jolie, por Garota Desconhecida.

Mas não ficou por aí. Quatro anos depois voltou a ser indicada pela Academia por Terra de Sonhos (In America), de Jim Sheridan, agora como protagonista,  um drama sobre família irlandesa que tenta se estabelecer em Nova York. Novamente perdeu (para Charlize Theron em Monster: Desejo Assassino).

Samantha nasceu em Nottingham, Nottinghamshire, em 13 de maio na zona rural inglesa e nunca tinha visto um filme de Woody quando foi escolhida para o papel. E se assustou quando lhe disseram, o “cara fez 50 filmes, é uma lenda”. Foi direto para a locadora onde alugou Annie Hall (77) e O Dorminhoco (1973). Mas preferiu não dar opinião sobre ele e qual de suas fitas prefere. Allen a descobriu vendo o filme Under the Skin e a queria para o papel de Hattie. Diz Samantha: “ é uma figura angelical, gentil e pura. E Woody me  deu toda a liberdade para criá-la” .

Samantha estudou arte dramática no Central Junior Televison Workshop e já aos 13 anos estreava na televisão. Começou fazendo papéis pequenos em séries (como Cracker, 1993, lançado em vídeo e exibido na HBO, Boon, 1996), depois telefilmes e finalmente minisséries , várias delas de grande sucesso no exterior.

No Festival de Veneza 99, Samantha, que já estava grávida, apresentou outro filme novo, Jesus´s Son, com Billy Crudup. Embora afirme: “sou muito difícil para escolher papéis. A vida não é um ensaio, se eu não tiver uma resposta emocional de um script, eu não o faço”. Em 5 de fevereiro de 2000, nasceu em Londres  o primeiro filho de Samantha, Esmé. O pai é o ator Charlie Creed-Miles (O Quinto Elemento), mas eles não são casados legalmente.

É difícil porém dizer o que deu errado. As indicações lhe deram a chance de ter um ótimo papel nas mãos de Spielberg e Tom Cruise em Minority Report (02), mas parece que Cate Blanchett e Jena Elfman  tinham recusado.  Mas a tragédia aconteceu em 2006, quando foi atingida na cabeça por um pedaço de teto de sua casa que era do século 17. Isso lhe provocou um derrame cerebral e ano e meio de tratamento. Teve que passar por terapia física e vocal, e mesmo com disfunções aceitou estar em Sinédoque, Nova York. Só então se soube que ela tinha problemas desde adolescente. Serviu aos 14 anos, 18 semanas por causa de uma crise e ameaça de morte num centro de atendimento (ate de assassinato). Antes disso ficou sem teto por quase um ano que resultou num serio problema de drogas. Hoje já tem três filhos para criar. Seu último problema foi com o filme de Spike Jonze, Ela (Her). Foi Samantha quem primeiro fez a voz do computador, mas o diretor resolveu substituí-la por Scarlett Johansson que achava mais adequada.

 

 FILMOGRAFIA (CINEMA E TELEFILMES)

 1991- Soldier Soldier (série de TV) 1993- The Toten King (TV) 1995- Band of Gold (Série) 1996- The Future Lasts a Long Time (CM), Emma (TV) 1997- Jane Eyre (TV), Under the Skin, This is the Sea, The  History of Tom Jones, a Foundling. 1999- Poucas e Boas (Sweet and Lowdown), Jesus´s Son, Dreaming of Joseph Lees, The Last Yellow 2000- Pandaemonium 2001- Eden 2002- Movern Callar. Minority Report: a Nova Lei (Minority Report), Terra de Sonhos (In America) 2003- Código 46 (Code 46 de Michael Winterbottom) 2004- Amor para Sempre (Enduring Love. Com Daniel Craig), O Libertino (The Libertine com Johnny Depp) 2005- River Queen (de Vincent Ward), Lassie (Idem) 2006- Longford (TV) 2007- Expired, Control (Idem de Anton Corbijn) Mr. Lonely (de Harmony Korine), Elizabeth: a Era de Ouro (Elizabeth: The Golden Age) 2008- Sinédoque, Nova York (Synecdoche, New York, de Charlie Kauffman),  The Daisy Chain 2009- O Mensageiro (The Messenger) 2012- John Carter: Entre Dois Mundos (John Carter), Cosmópolis (Cosmopolis de David Cronenberg) 2012- Unidas pela Vida (Decoding Annie Parker) 2013-The Harves, Angels & Ghosts (CM) 2014- Miss Julie (dirigido por Liv Ullman).

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro, é também o crítico de cinema do portal R7. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde está atualmente com o programa TNT+Filme e onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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