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COADJUVANDO: Jan Sterling

Sua especialidade era justamente ser má. E se tivessem lhe dado a chance, teria sido uma nova Bette Davis

25/07/2014 11:24 Por Rubens Ewald Filho
COADJUVANDO: Jan  Sterling

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Jan  Sterling (1921-2003)

Sua face é sua fortuna. Esta é uma velha frase, mas que tem toda razão e ainda é valida hoje em dia. Há pessoas que tem determinado tipo, que está retratado na face. E pode ser mesmo feio, ou ter cara de piranha, ou pirata, ou policial, às vezes até uma doença que lhe deforma a aparência. Mas graças a isso muita gente tem conseguido fazer carreiras muito bem sucedidas. Como herdeiro do Circo, o cinema sempre gostou de tipos exóticos, de preferência se conformando aquilo que eles chamam de “type casting”. Escalação por tipo. Ou seja, moça com tipo de boazinha ficaria condenada para sempre nesse personagem. Até que alguém resolva arriscar em  torná-la uma megera (um exemplo a adorável Sally Field fazendo a mulher do presidente Lincoln).

Vocês ouviram falar em Jan Sterling há pouco na biografia de Paul Douglas. O mais interessante de Jan é que ela era descendente direta de dois presidentes americanos, John Adams e John Quincy Adams. Ou seja, quem vê cara...  Ela foi a viúva do ator, mãe de seu filho e supomos sua herdeira, o que pode explicar porque afastou-se bastante da carreira quando tinha tudo para continuar a brilhar. Ninguém melhor do que ela para fazer uma mulher má, vulgar, possivelmente prostituta, certamente traiçoeira. Como sucedeu em A Montanha dos Sete Abutres, 51, de Billy Wilder, a companheira de Humphrey Bogart em seu último filme, já bem doente, A Trágica Farsa (56) sobre corrupção no boxe, ou a prostituta que esta a bordo de avião que ameaça cair, em Um Fio de Esperança (The High and the Mighty, 55, que lhe deu sua única indicação ao Oscar®). Mas você verá que sua especialidade era justamente ser má. E se tivessem lhe dado a chance teria sido uma nova Bette Davis.

Nascida Jane Sterling Adriance em 3 de abril de 1921,em Nova York, de família rica. O pai trabalhava em publicidade e a mãe se casou com homem de petróleo. A família viajava muito e Jane foi educada por tutores no Brasil (!!!), depois Londres e Paris.  Resolveu ser atriz contra a vontade da família e estudou com a atriz Fay Compton. Aos 17 anos já retornava a Nova York e conseguia seu primeiro papel na Broadway, em Bachelor Born. Nos próximos 11 anos se fixaria no palco trabalhando com Ruth Gordon (Over 21) e chegando a disputar o papel central de Nascida Ontem, por ironia estrelado pelo futuro marido Douglas. Não conseguiu, mas foi contratada pela Warner para trabalhar ao lado de Jane Wyman em Belinda, o filme que lhe daria o Oscar®. E para sua alegria, Jane/Jan acabou se encontrando fazendo vilãs marcantes. Seu primeiro marido foi o ator John Merivale (1917-90), coadjuvante canadense. Casou-se com Paul Douglas em maio de 1950 e ficou com ele até sua morte prematura. Embora o casal tenha se mudado para Vermont, longe dos estúdios, chegaram a fazer excursão com os dois interpretando Nascida Ontem.

Sem Paul, ela preferiu trabalhar menos (embora tenha aparecido com os seios à mostra no filme Escola do Vício (High School Confidential), em 58, mas não interferiu com sua carreira.  Aos poucos ela foi retornando a Londres, onde teve uma ligação romântica com o diretor e ator Sam Wanamaker, que foi obrigado a se mudar para lá fugindo da Lista Negra. Hoje ele é ovacionado pelos ingleses porque foi quem teve a idéia de reconstruir o Teatro Globe de Shakespeare que hoje existe em Londres. Os dois tiveram o relacionamento até a morte dele em 1993. O filho dela e Paul, Adams (1955-2003) morreria 3 meses antes de Jan falecer.

Filmografia

1947- Inferno nos Trópicos (Tycoon, de Richard Wallace. Sem crédito). 1938- Belinda (Johnny Belinda ,de Negulesco). 1950- À Margem da Vida (Caged, de John Cromwell), A Flor dos Maridos (The Skipper Surprises his Wife, de Elliot Nugent), A Noite de 23 de Maio (Mystery Street, de John Sturges), Gunfire, de William Berke (sem crédito), Rastro Sangrento (Union Station, de Rudolph Maté). 1951- O Quarto Mandamento (The Mating Season, de Mitchell Leisen). 1951-Na Boca do Lobo (Appointment with Danger, de Lewis Allen), A Montanha dos Sete Abutres (Ace in the Hole, de Billy Wilder), Um Gato em Minha Vida (Rhubarb,  de Arthur Lubin). Tormento da Carne (Flesh and Fury, de Joseph Pevney), Céu de Prata (Sky full of Moon, de Norman Foster), As Aventuras de Buffalo Bill (Pony Express, de Jerry Hopper), Suplicio de um Condenado (Split Second, de Dick Powell), Epilogo de Sangue (The Vanquished, de Edward Ludwig). 1954- Tormenta no Alaska (Alaska Seas, de Jerry Hopper), Um Fio de Esperança (The High and the Mighty, de William Wellman), Ataque nos Mares Chineses (Return from the Sea , de Lesley Selander), No Domínio do Vício (The Human Jungle, de Joseph Newman). 1955- Mulheres Condenadas (Women´s Prison, de Lewis Seiler), Frenesi de Paixões (Female on the Beach, de Joseph Pevney), Armado até os Dentes (Man with the Gun, de Richard Wilson). 1956- 1984 (Idem, de Michael Anderson), A Trágica Farsa (The Harder they Fall, de Mark Robson). 1957- Assassinato na Décima Avenida (Slaughter on Tenth Avenue, de Arnold Laven).  1958- Naufrágio de Uma Ilusão (The Female Animal, de Harry Keller). 1958- Escola do Vício (High School Platinum, de Jack Arnold), Uma Pequena do Barulho (Kathy O, de Jack Sher). 1961- Esconderijo para o Amor (Love in a Goldfish Bowl, de Jack Sher). 1967- O Incidente (The Incident, de Larry Peerce). 1968- Juventude Insaciável (The Angry Breed, de David Commons). 1969- The Minx, de Raymond Jacobs. 1976- Sammy Somebody, de Joseph Adler. 1981- Um Juiz Muito Louco (First Monday on October, de Ronald Neame).   

 

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro, é também o crítico de cinema do portal R7. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde está atualmente com o programa TNT+Filme e onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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