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COADJUVANDO: Paul Douglas

Um sujeito grandão, com voz grossa, jeito de urso, sempre sincero, simpaticão, mais que coadjuvante era um co-astro

24/07/2014 17:56 Por Rubens Ewald Filho
COADJUVANDO: Paul Douglas

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Paul Douglas (1907-1959)

 

Não era propriamente um ator, era uma personalidade. Um sujeito grandão, com voz grossa, jeito de urso, sempre sincero, simpaticão. E por pouco mais de uma década conseguiu se tornar um ator querido e sempre ocupado, mais que coadjuvante era um co-astro, fazendo no mínimo o amigo do mocinho, ou rival.  Mas morreu cedo demais.

Paul Douglas Fleischer nasceu em 11 de abril de 1907, na Filadélfia, filho de um médico muito rico. Estudou em Yale, jogou futebol profissional e depois se tornou comentarista de rádio. Eventualmente virou também comediante trabalhando com Jack Benny e George Burns. Foi o diretor Garson Kanin que o escolheu para fazer Nascida Ontem na Broadway. O sucesso o levou a um contrato com a Fox e a estréia logo num clássico do cinema, a comédia Quem é o Infiel?, de Joseph L. Mankiewciz, onde fazia par com Celeste Holm. A grande ironia, porém era que ele já havia se tornado famoso na Broadway fazendo justamente a peça de êxito, mas recusou fazer o filme porque argumentou que o roteiro havia sido modificado para fazer brilhar a atriz Judy Holliday e o galã William Holden. E tinha razão, porque Judy levou o Oscar® e Holden se firmou como super star. Broderick Crawford, que tinha tipo semelhante, o substituiu (mas não possuía a cara de bom sujeito dele). Depois chegou a fazer uma versão para a TV da peça em 56, mas com elenco desconhecido. Esteve com Judy nessa época também na comédia O Cadillac de Ouro.

Contratado pela Fox, dali em diante Paul engatou numa carreira sem baixos. Os papéis eram parecidos, como um policial que tenta ajudar o quase suicida Richard Basehart em Horas Intermináveis... Foi um dos Dez Homens e um Destino que disputam o poder numa grande empresa num elenco all star... Trabalhou com Jean Simmons no musical Esta Noite ou Nunca... Com frequência o faziam participar de filmes sobre esporte aproveitando sua ligação antiga com o assunto.  E foi o pai de Debbie Reynolds no seu ultimo filme, Como Agarrar um Marido (The Mating Game). Seu único passo em falso foi quando em meados da década de cinquenta foi à Inglaterra e até filme de terror chegou a rodar (Os Monstros do Raio Gama). Mas também esteve em filme italiano de Eduardo de Fillipo com Giulietta Massina, chamado Fortunella e nunca exibido aqui comercialmente.

Foi casado cinco vezes, inclusive com as atrizes Virginia Field (1917-92), inglesa de origem nobre (de A Ponte de Waterloo) e Jan Sterling (1921-2004). Teve um filho com cada uma dessas últimas. Morreu de repente, de enfarto, repentino, de manhã cedo ao acordar, em 11 de novembro de 1959, com apenas 52 anos. Tinha rodado um episódio da serie de TV Além da Imaginação que teve que ser refeito com Jack Warden (The Mighty Casey) porque nas imagens ela já dava sinais de que não estava bem. Também já estava acertado que iria fazer o papel do chefe em Se Meu Apartamento Falasse de Billy Wilder, com Jack Lemmon (no lugar entrou Fred MacMurray). Seu único prêmio foi um coletivo dado a todo o elenco no Festival de Veneza em 1954, por Um Homem e Dez Destinos.   

       

Filmografia

1949- Quem é o Infiel? (A Letter to Three Wives, de Mankiewicz com Linda Darnell), Todas as Primaveras (It Happens Every Spring, de Lloyd Bacon com Ray Milland), Cante Noutra Freguesia (Everybody Does it, de Edmund Goulding com Linda Darnell). 1950- Ilusão Perdida (The Big Lift, de George Seaton com Montgomery Clift ), Gosto Deste Bruto (Love That Brute, de Alexander Hall com Jean Peters), Pânico nas Ruas (Panic in the Streets, de Elia Kazan com Richard Widmark ).  1951- Horas Intermináveis (14 Hours de Henry Hathaway com Grace Kelly ), O Último Jogo (The Guy Who Came Back, de Joseph Newman com Linda Darnell), Um Gato em Minha Vida (Rhubarb, de  Arthur Lubin, sem crédito, com a mulher Jan Sterling), Anjos e Piratas (Angels in the Outfield, de Clarence Brown, com Janet Leigh). 1952- Uma Aventura em Roma (When in Rome, de Clarence Brown com Van Johnson), Só a Mulher Peca (Clash by Night, de Fritz Lang com Marilyn Monroe), Travessuras de Casados (We´re not Married, de Edmund Goulding com Marilyn Monroe). 1953- Nunca Fomos Covardes (Never Wave a WAC, de Norman Z. McLeod com Rosalind Russell ), No Entardecer da Vida (Forever Female, de Irving Rapper com Ginger Rogers). 1954-  The Maggie (de Alexander McKendrick), Um Homem e Dez Destinos (Executive Suite, de Robert Wise com William Holden ), Tentação Verde (Green Fire, de Andrew Marton, com Grace Kelly). 1955- Joe MacBeth (Idem, de Ken Hughes com Ruth Roman). 1956- O Monstro do Raio Gama (The Gamma People, de John Gilling com Eva Bartok), O Segredo do Padre (The Leather Saint, de Alvin Ganzer com John Derek), O Cadillac de Ouro (The Solid Gold Cadillac, de Richard Quine com Judy Holliday). 1957- Esta Noite ou Nunca (This Could be the Night, de Robert Wise com Jean Simmons), O Prefeito se Diverte (Beau James, de Melville Shavelson com Bob Hope). 1958- Fortunella (de Eduardo De Fillippo com Giulietta Masina). 1959- Como Fisgar um Marido (The Mating Game, de George Marshall com Debbie Reynolds).    

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro, é também o crítico de cinema do portal R7. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde está atualmente com o programa TNT+Filme e onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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