RESENHA CRÍTICA: Mão na Luva
Um delicado e sensível filme romântico
Mão na Luva
Brasil, 13. 70 min. Direção de José Joffily e Roberto Bontempo. Com Roberto Bontempo, Miriam Freeland, Chico Lelucio.
Eu fico muito triste quando vejo um filme brasileiro de qualidade que me parece condenado ao fracasso, embora tenha muitas qualidades. Este aqui, por exemplo, já tinha ganhado o premio de atriz no Festival de Natal (alias a atriz Miriam é ótima e sai encantado com ela, embora sem conhecê-la antes. Parece que a moça trabalha na Record e naturalmente ninguém assiste a emissora, ou quando o faz não consegue guardar qualquer nome!). Parece que ela é companheiro do ator Bontempo (que também é codiretor aqui e isso pode ajudar a explicar porque estão tão bem juntos).
Este tem tudo para ser um teatro filmado, aborrecido como eles todos costumam ser. Mas é uma exceção. Já gostava muito do texto do Vianinha - o Oduvaldo Viana Filho, falecido em 1974, aos 38 anos, no auge da carreira, de câncer (alguns anos atrás assisti o Marco Nanini dando show numa montagem). Após 13 anos juntos, Lucio e Silvia decidem se separar. Logo eles que se entendiam tão bem que parecia uma mão se encaixando numa luva. Todo passado num elegante apartamento, os dois brigam, discutem, fazem amor, fazem as pazes, brigam de novo. Como todo casal que se preze.
Coproduzido pelo Canal Brasil (o que vai lhe dar ao menos uma chance de ser visto dia 25 de novembro) me pareceu um delicado e sensível filme romântico. E naturalmente sai fã da super talentosa Miriam.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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