RESENHA CRÍTICA OSCAR 2016: O Quarto de Jack (Room)
Sem dúvida retrata uma história triste, mas sem qualquer apelação ou grosseria
O Quarto de Jack (Room)
EUA, 15. 118 min. Direção de Lenny Abrahamson. Roteiro de Emma Donoghue baseado em livro de sua autoria. Com Brie Larson, Jacob Tremblay, Sean Bridgers, Joan Allen, William H. Macy, Wendy Crewson, Tom McCamus.
Este é um filme modesto que caiu nas graças da crítica. O diretor é irlandês, de quem conheceu um pequeno thriller (What Richard Did, 12) e o bizarro e curioso Frank (com Fassbender, 14). A autora do livro se inspirou num caso real, o de um menino Fritzl, e uma mulher, sua mãe, que ficou prisioneira em um pequeno cômodo, vítima do próprio pai com quem teve cinco filhos. Esse é o ponto de partida daqui, onde tudo foi reduzido a um único filho, um garoto que a principio por causa até do cabelo longo e sensibilidade eu achei que fosse uma menina. Não é o caso. Mas a mãe da criança é vivida por Brie Larson, uma atriz que fez muita coisa (Trainwreck, Como Não Perder Essa Mulher, O Maravilhoso Agora) num total de 48 créditos, mas que só com este filme é que esta sendo reconhecida. Seu trabalho é contido e discreto, já que parte dele é não assustar a criança que começa a estranhar de viver naquelas condições. Não há detalhamento das circunstâncias que os levaram a serem prisioneiros (e nada de incesto).
Na metade do filme há uma reviravolta que não vamos comentar. Basta dizer que tudo é mostrado com muita sensibilidade, não procurando o drama ou o choque, apenas descrevendo o absurdo da situação que no entanto acontece e continua acontecendo. Nem é preciso dizer que o menino é muito natural e sem qualquer rastro de ator, parece gente normal mesmo. Uma curiosidade: na cena final precisavam de neve e ela veio por acaso na hora certa!
Sem dúvida é uma história triste, mas sem qualquer apelação ou grosseria.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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