RESENHA CRÍTICA: 50 Tons de Preto (Fifty Shades of Black)
O filme original era tão ruim que resultava mais engraçado do que esta imitação
50 Tons de Preto (Fifty Shades of Black)
EUA, 16. 92 min. Direção de Michael Tiddes. Com Marlon Wayans, Kali Hawk, Fred Willard, Florence Henderson, Mike Epps, Jane Seymour, Alfion Crockett.
Sim, é exatamente o que você esta pensando, esta é uma paródia feita por especialistas no gênero mas que curiosamente esta sendo fracasso de bilheteria nos EUA (onde não chegou a dez milhões de dólares) apesar do prestigio do ator e diretor Marlon Wayans, que fez As Branquelas, que foi sucesso aqui, a série Todo Mundo em Pânico e que aqui faz solo protagonista que obviamente é uma sátira ao filme famoso (que vem de livro) por seu erotismo. Curiosamente o diretor Tiddes é branco! E veio de outros projetos com Marlon (Inatividade Paranormal I e 2).
Na verdade, não sei explicar porque este fracassou pois é tão semelhante a outros que usavam a mesma fórmula. Será que ela se esgotou? Pode ser. Eu assisti o filme numa pré-estréia em Atlanta, com um público cem por cento Black, para quem na verdade é endereçado. E o humor do diretor é dado a momentos que não foge do explícito grotesco, por exemplo, o irmão adotivo do herói é um sujeito dado a música, mas tem o pênis maior do mundo, o que ele exibe quando pode (naturalmente tudo é falso e de brincadeira mas dá o tom perfeito do que é o grotesco do filme).
Gosto de Marlon e em geral ele sabe o que esta fazendo. Quer provocar o riso esculachando com o filme (usei esta gíria antiquada porque ela descreve exatamente o que é o filme!). A cantora Kali Hawk parece a garota original do filme e usa uma peruca igualmente horrível. Eles irão experimentar o lado masoquista da relação sexual mas qualquer detalhe é desculpa para as brincadeiras, que irão incluir a família adotiva do herói (a famosa Jane Seymour faz a mãe adotiva do herói). De qualquer forma, ri ocasionalmente, mas parece que o consenso é o mesmo. O filme original era tão ruim que resultava mais engraçado do que esta imitação. Em tempo: o filme foi um desastre de bilheteria nos EUA.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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