RESENHA CRÍTICA: O Filme da Minha Vida

O filme tem um grande elenco, mas é uma adaptação fraca e infeliz com roteiro confuso

03/08/2017 09:04 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: O Filme da Minha Vida

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O Filme da Minha Vida

Brasil, 17. Direção de Selton Mello. Com Selton, Vincent Cassel, Bruna Linzmayer, Johnny Massaro, Roland Boldrin, Ondina Clais, Bia Arantes, Martha Nowill.

Pela primeira vez na História do cinema nacional, desde sempre, se conseguiu reunir uma lista de mais de meia dúzia de atores galãs brasileiros, jovens de talento e qualidade, mesmo com estilos diferentes, passando dos que já emigraram para Hollywood (Rodrigo Santoro), chegaram ao Globo de Ouro (Wagner Moura) e os que conquistaram a simpatia e coração das plateias como é o caso Selton Mello, tanto como ator como diretor do bem sucedido e premiado O Palhaço. Uma pena, porém, que seu novo filme não tenha o nível semelhante, resultado da adaptação de um livro mal resolvido, de autor chileno chamado Antonio Skarmeta, o que teve sucesso com o Carteiro e o Poeta (Il Postino), filme de 94, com Massimo Troisi que foi adaptado para o cinema e indicado para 5 Oscars, ganhando o de trilha musical para Bacalov, mas o autor não constava dos créditos (ele teria feito também o político “No”).

Enfim Skarmeta que foi Embaixador do Chile na Alemanha largou a carreira para se tornar apenas escritor e gostando do trabalho do Selton lhe enviou justamente o livro chamado de “Um Pai de Cinema”, que Inspirou este livro, dando anuência a este de tomar liberdade de várias formas. Começando por Selton assumindo um personagem secundário, que tenta ser cafajeste, mas se diverte fazendo piadinhas. O fato é que acaba se tratando de uma história muito mal contada, irregular, que não se sabe bem que época se passa, tropeçando na Geografia, nas canções irregulares, nas citações. O livro dá mais destaque a sala de cinema e menciona filmes do final anos 50 como A Fúria da Carne (Wild is the Wind, 57, com Anna Magnani), a John Wayne e Angie Dickinson e as bebedeiras de Dean Martin em Onde Começa o Inferno (56) e outro mais recente francês que é nunca mostrado comercialmente aqui Zazie dans Le Metro (de Louis Malle, 60). Talvez por isso eliminados do único que é mostrado que vem a ser Rio Vermelho, com Wayne e Monty Clift, 48 (conflito entre velho cowboy e o filho adotivo). Que é mostrado sem legendas e que pouco tem a ver com esta trama do filme.

Na verdade, quase toda a adaptação é infeliz. Seria a história de um francês que vem para o interior do Brasil que tem uma bela mulher (a bela e sensível Ondina que parece saída de um filme de Ingmar Bergman) e um filho em que nada se parece com o personagem quando fica mais velho e adquire um nariz aquilino (Johnny Massaro), nada contra o ator que muda completamente e fala um francês adequado. O problema é que a história/trama é mal desenvolvida, de tal maneira que o que seria protagonista, o grande ator Francês Vincent Cassel (fui grande admirador do pai dele, Jean Pierre Cassel, já falecido) que tem uma presença ingrata, mal se vê seu rosto, ou se entende o que pretende, inventando frases jogadas ao léu. Piora quando ele some, não se entende bem para onde e quando há uma reviravolta na história, tudo ainda fica mais inverossímil. Mal se consegue se entender a geografia da cidade gaúcha e da presença da sala de cinema e menos ainda de uma criança, depois um sofisticado bordel de belas jovens. Acho que o próprio livro não ajuda e o filme não consegue chegar a ser o projeto que pretendia.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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