RESENHA CRÍTICA: Until the Birds Return (En Attendant les Hirondelles)
Uma realização interessante e que merece ser descoberta
Until the Birds Return (En Attendant les Hirondelles)
Argélia, 2017. 1h53 min. Direção de Karim Mouissaui. Roteiro de Maud Ameline, Karim. Com Aure Atika, Hania Amar, Chawki Amari, Nadia Kaci, Mohamed Djouhri.
Premiado no Un Certain Regard, mostra paralela do Festival de Cannes, este filme foi trazido pela Imovision de Jean-Thomas Bernardini para uma apresentação especial no Festival de Gramado. Junto com seu diretor estreante, Karim Mouissaui, foi recebido com grande emoção, já que vemos por aqui poucas produções da Argélia, um pais árabe/africano atormentado e importante. São três histórias separadas mas de alguma forma conectadas, se complementando. Num país conflitado (na década de 90, houve uma guerra civil, antes disso a lendária guerra pela independência). Começa com um construtor bem de vida, Mourad que está dividido entre as exigências de sua ex-mulher e o filho, assim como uma segunda mulher que deseja retornar para a França. As coisas se complicam quando vem um conflito na rua e não chama a polícia. Ficam mais intrigantes quando há um novo personagem, um empregado dele, que acompanha alguns empregados de Mourad, no casamento de sua filha. Acontece que eles, Djalil e Alcha tem um segredo entre eles.
Tudo é mostrado com discrição, mas há um clímax em cada um dos episódios que são extremamente marcados por momentos musicais, cenas de dança num bar quase vazio e depois uma espécie de banda que toca no deserto. São momentos incríveis e apaixonantes que escondem o símbolo do que não pode ser dito. O último episódio é mais triste sobre um doutor acusado de ter estuprado uma mulher envolvendo também terroristas. Mas o jovem diretor tem talento e sabe equilibrar a narrativa com esperança, sensibilidade e domínio da imagem. Sem dúvida uma realização interessante e que merece ser descoberta.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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