RESENHA CRÍTICA: Um Segredo em Paris (Drôles D´Oiseaux/Strange Birds)

Nada mais francês do que a profusão de detalhes e conversas, nunca bem resolvido

13/11/2018 22:25 • Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CR�TICA: Um Segredo em Paris (Drôles D´Oiseaux/Strange Birds)

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Um Segredo em Paris (Drôles D´Oiseaux/Strange Birds)

França, 2017. 1h10 min. Direção de Elise Girard (também co-roteirista Com Anne Louise Tridivic). Com Jean Sorel, Lolita Chammah, Virginie Ledoyen, Pascal Cervo, Ronald Chammah.

A Diretora fora este filme fez apenas Belleville-Tokyo (2010), Roger Diamantis ou La Vraie Vie (2005, Doc Tv), (Seuls sont les indomptés. Doc. TV. 2003).

Os mais veteranos tem uma atração muito especial por este modesto filme francês, além de curto, por causa da presença de um dos homens mais charmosos do auge do cinema francês, no caso Jean Sorel (casado com a atriz italiana Ana Maria Ferrero. Ela faleceu recentemente em maio de 2018), ele nasceu em 1934, fez Vagas Estrelas da Ursa, A Bela da Tarde, La Ronde, As Bonecas, As Rainhas e muitas series de TV. O elenco traz também uma curiosidade, já que Lolita é a filha artista de Isabelle Huppert. Segundo os europeus o filme é uma espécie de meditação sobre uma garota que vem do interior (Tours) e se muda para Paris, vai trabalhar numa livraria onde o dono é misterioso (Sorel) que nunca vende livros, mas parece ter dinheiro. Bem francês, o filme está cheio de protestos, referências literárias (Marguerite Duras, Virginia Wolf), filmes antigos de Howard Hawks, música (La Tosca de Puccini). O que torna um pouco interessante é que Sorel, ou seja, Georges, é irônico e sarcástico, justamente o oposto da moça. Nada mais francês do que a profusão de detalhes e conversas, nunca bem resolvido. Quem não guarda lembranças de Sorel (e ficou sabendo agora de sua viuvez!) terá dificuldade em aceitar esta semi comédia irônica e que fica muito a dever.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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