Amor à Primeira Briga (Les Combattants)
Espero que o público reconheça o frescor e originalidade deste filme
Amor à Primeira Briga (Les Combattants)
França, 14. 98 min. Direção de Thomas Cailley. Com Adèle Haenel, Kevin Azais, Antoine Laurent, Brigitte Rouan, William Lebhil.
Uma interessante campanha de lançamento está tentando tornar mais conhecida esta comédia romântica francesa de diretor estreante, que foi muito premiada na Quizena dos Realizadores de Cannes. Assim levou 4 prêmios (incluindo o da critica), ganhou o César de melhor filme de estreante (foi indicado ainda como roteiro original, diretor, filme). Ganhou melhor estreante pelo Sindicato dos Críticos franceses, o importante prêmio Louis Delluc.
E na verdade há algo de diferente, de jovem e curioso, nesta história em regiões pouco mostradas pelo cinema (a Gironde e a Aquitania, Landes, Alto Pirineus), numa história que é bem atual. Em meio à crise econômica, dois irmãos tentam levar adiante o negócio de construção e madeira do falecido pai. Eles vivem numa cidade à beira mar com a mãe, mas o mais novo Arnaud (Kevin), um tipo loiro e baixo, se interessa por uma garota rebelde, uma loira bonita mas que parece sempre estar na dela, pensando em ser lutadora, ou se inscrever no exército. Aos poucos, ele vai se aproximando dela, os dois se envolvem, tudo de forma muito particular nada clichê, até quando os dois resolvem fazer um estágio no exército, correndo risco de vida. Concluindo de forma melancólica.
O filme é basicamente isso. Se difere da tradição francesa existencialista e pesada, tendo momentos de romance, de filme de jovem, muito ajudado pela presença bonita mas diferente de Adèle (que conhecemos aqui de Os Amores da casa de Tolerância). Espero que o público reconheça seu frescor e originalidade.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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