RESENHA CRÍTICA: O Destino de Uma Nação (Darkest Hour)

Em vez de um filme frívolo e cheio de lances visuais, o diretor fez um trabalho discreto e até sombrio

08/01/2018 13:29 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: O Destino de Uma Nação (Darkest Hour)

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O Destino de Uma Nação (Darkest Hour)

Inglaterra, 17. 2h5min. Direção de Joe Wright. Roteiro de Anthony McCarten. Baseado em livro de sua autoria. Com Gary Oldman, Lily James, Kristin Scott Thomas, Ben Mendehlson (como Rei George VI), Ronald Pickup, Stephen Dillane, Samuel West. David Strathairn (voz de Presidente Roosevelt).

É curioso que simultaneamente tenham surgido três filmes diferentes sobre o mesmo personagem histórico, no caso o Primeiro Ministro inglês Sir Winston Churchill (1874-1975), uma figura lendária e polêmica, que foi responsável por salvar a Grã-Bretanha da destruição diante da invasão da Europa nas mãos do nazismo de Hitler. O primeiro caso foi a minissérie The Crown da Netflix, de Peter Morgan, ainda disponível, uma super produção excepcional que teve a ousadia de chamar um ator americano para o papel, no caso John Lithgow, que levou um Emmy, o SAG, Critic´s Choice e foi indicado ao Globo de Ouro. Quase simultaneamente surgiu depois um longa-metragem britânico ainda de qualidade (ainda que inferior aos dois outros) que foi o apenas Churchill (Idem), 17, feito por um diretor pouco conhecido australiano (Jonathan Teplitsky, que fez Uma Longa Viagem com Nicole Kidman) e com o escocês Brian Cox, que está bem e sua mulher feita pela ótima, Miranda Richardson. Mas para tentar ser um pouco diferente os acontecimentos registrados pelo filme estão restritos a apenas 96 horas de básica importância para a sobrevivência da Grã-Bretanha. Resultado: um filme interessante, mas menor.

Este terceiro e mais importante, da Universal Focus, está sendo promovido porque é a primeira indicação ao Globo de Ouro, apesar de sua ilustre e querida carreira, de Gary Oldman que tem bastante chance de até se sair vencedor (havia também possibilidade de roteiro e outros prêmios técnicos, mas este ano a disputa dos prêmios ainda mais o Oscar está mais difícil e disputada). Gary se revela um ator versátil num verdadeiro tour de force a ponta de ser irreconhecível escondido atrás de uma incrível maquiagem e trejeitos (com a boca). Além de conseguir reproduzir os mais famosos discursos do primeiro ministro inglês, que além disso reproduz na parte final do filme, num verdadeiro show.

Acredito que o filme (que nos EUA está tendo uma carreira razoável com cerca de 23 milhões de dólares de renda) não seja para todo mundo. Os muito jovens e os menos interessados em História (com H maiúsculo) ou Política, podem se aborrecer sobre um conflito fundamental na História das guerras, mas já um pouco distante para alguns. O trabalho do roteiro (e um livro) foi feito por Anthony McCarten que pesquisou tudo com cuidado e fez também o premiado A Teoria de Tudo e dirigido por um dos meus diretores preferidos, o excelente Joe Wright (Desejo e Reparação, e por isso nem mostra muito a cena de Dunkirk, visto agora em filme parecido, Orgulho e Preconceito, Anna Karenina, Hanna, no episódio Nosedive de Black Mirror, e agora Stone com Tommy Lee Jones). Em vez de um filme frívolo e cheio de lances visuais, fez um trabalho discreto e até sombrio (as figuras femininas são ainda mais em segundo plano, apesar da qualidade de Kristin Scott Thomas e a promissora Lily James-(Cinderella). Mas seria obrigatório para ser visto por todos os políticos brasileiros, uma verdadeira lição para eles.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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