RESENHA CRÍTICA: Uma Dobra no Tempo (A Wrinkle in Time)

É incompreensível para os pequenos e aborrecido e confuso e mal feito para os mais velhos

28/03/2018 16:46 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Uma Dobra no Tempo (A Wrinkle in Time)

tamanho da fonte | Diminuir Aumentar

Uma Dobra no Tempo (A Wrinkle in Time)

EUA, 2018. 149 min. Direção de Ava DuVernay. Roteiro de Jennifer Lee, Jeffrey Stockwell, baseado em livro de Madeleine L´Engle. Com Reese Witherspoon, Storm Reid, Oprah Winfrey, Chris Pine, Levi Miller, Mindy Kaling, Deric McCabe, Gugu Mbatha Raw, Zach Galifinakis, David Oleyowo, Michael Peña.

Difícil entender quem teve a infeliz ideia de fazer uma nova versão desta história que faz questão de afirmar que é para crianças, e a diretora ainda explica entre 8 e 12 anos! Ou seja, fica de fora um grupo muito grande, principalmente os pequenos. Que talvez pudessem se interessar mais por esta história confusa e cheia de nomes para decorar e situações para entender. Acontece que já houve antes uma adaptação deste livro para a TV (em 2003), com uma enorme duração de quatro horas e 13 minutos, direção de John Kent Harrison, e um elenco pouco conhecido exceção de Alfre Woodard, Katie Nelligan.

Acho estranho que a primeira vez que vi o trailer desta fantasia falei para mim mesmo: Xiii, que coisa mais errada, esse aqui vai ser um fracasso!

E tinha razão, este mês de março nos EUA todos os filmes estreados estão indo mal e aqui a renda foi de 73 milhões de dólares quando o orçamento era de 103 milhões. Podia ser pior porque é uma questão de lógica, o filme não serve para crianças pequenas ou pessoas adultas. Melhor dizendo que é incompreensível para os pequenos e aborrecido e confuso e mal feito para os mais velhos.

A diretora Ava DuVernay fez muitos documentários, curtas e telefilmes, e alguns longas como Middle of Nowhere (2012), I Will Follow (2010). Acertou em cheio quando dirigiu o subestimado Selma, uma Luta pela Igualdade, 2014, que ganhou o Globo de Ouro e Oscar de canção (e foi indicado ao Oscar de filme). Mas se perdeu totalmente desta vez. Começando pela direção de arte e figurinos mais feios que o cinema mostrou nos últimos anos. A coitada da Oprah é a pior vitima usando roupas pavorosas e vitima de uma maquiagem paquidérmica. Mas as outras não ficam atrás e sorte delas que somem no meio do filme, sobrando menos de Reese Witherspoon e a comediante Mindy (a mãe dela é de origem africana, mas nascida nos EUA tem aspecto de indiana e está especialmente fora do personagem).

Todo o filme é penoso de se assistir. Começa numa escola com o tradicional bulling (não sei se é para denunciar ou promove-lo!). E a primeira parte é toda filmada em planos muito fechados, próximos demais. Acontece que um cientista delirante (o ao menos simpático Chris Pine) desaparece no espaço deixando sua mulher e o casal de filhos muito confusos depois de 4 anos e de implicância dos professores e colegas. Mesmo assim aparece um adolescente - o mais fotogênico do elenco - que gosta da heroína e os três saem viajando por um misteriosos orientados por três figuras bizarras, que são aquelas que já mencionei Oprah (Mrs Wich), Reese (Miss Whatsit) e Mindy (Mrs Who). Vão para lugares exóticos (como um plantação de flores), mas são tão tontas que se declaram cansadas e vão embora. Os três jovens então tem que sair a procura do pai numa correria nada convincente ainda mais quando o garoto com cara de mexicano Michael tem seu espírito absorvido pelo monstro que mantém o pai prisioneiro. Não esperem também números musicais (bem pelo que me lembro havia duas músicas, mas totalmente olvidáveis). Nem esperem pelo final primário e banal. Uma pena, mas já na lista dos piores do ano.

Linha
tamanho da fonte | Diminuir Aumentar
Linha

Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

Linha
Todas as máterias

Efetue seu login

O DVDMagazine mantém você conectado aos seus amigos e atualizado sobre tudo o que acontece com eles. Compartilhe, comente e convide seus amigos!

E-mail
Senha
Esqueceu sua senha?

Não é cadastrado?

Bem vindo ao DVDMagazine. Ao se cadastrar você pode compartilhar suas preferências, comentar ou convidar seus amigos para te "assistir". Cadastre-se já!

Nome Completo
Sexo
Data de Nascimento
E-mail
Senha
Confirme sua Senha
Aceito os Termos de Cadastro